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Portuguese HL P2 MG 2017 hlayiso.com

Subject: Portuguese HLGrade 1220178 pages
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Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE EXAMINATION NOVEMBER 2017 PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II MARKING GUIDELINES Time: 2½ hours 80 marks These marking guidelines are prepared for use by examiners and sub-examiners, all of whom are required to attend a standardisation meeting to ensure that the guidelines are consistently interpreted and applied in the marking of candidates' scripts. The IEB will not enter into any discussions or correspondence about any marking guidelines. It is acknowledged that there may be different views about some matters of emphasis or detail in the guidelines. It is also recognised that, without the benefit of attendance at a standardisation meeting, there may be different interpretations of the application of the marking guidelines. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II – MARKING GUIDELINES Page 2 of 8 SECÇÃO A POESIA/POETRY O que se segue não são respostas modelo. Constituem apenas exemplos de como se poderá responder. PERGUNTA 1 1.1 Poema vinte e três, "Sinuoso atalho em que me vou cosendo e arrematando", de Guita Jr. 1.1.1 O eu poético começa por afirmar que a sua vida é um sinuoso atalho, quer dizer, não há um caminho previamente traçado e a que obedeça, porque ao longo da vida há desvios que se fazem e esses desvios são resultantes das conclusões a que chega, tentanto aperfeiçoar-se tal como implícito na palavra arrematando. O sujeito poético aprende com a observação dos transeuntes, isto é, das pessoas com quem convive, mesmo esporadicamente; mas tal como os transeuntes não têm duração, também as suas decisões podem ser temporárias, na busca do caminho certo da vida. Assim a nossa vida é feita de caminhos que se alternam, com mais curvas (decisões) para um lado do que para o outro, e é uma rota a que se chega a custo e com muito trabalho. No terceiro verso classifica a 'vida' como 'uma recta' que todos traçamos, mas 'aos ziguezagues', o que nos leva a inferir que o eu poético expressa as dificuldades e incertezas da vida que nos obrigam a afastar da rota inicial projectada. Este caminho não implica só o nível individual, visto que abrange todo o país e refere os passos hesitantes e cuidadosos que dá após a guerra de desestabilização. Na primeira quadra o eu revela-nos as hesitações, as dificuldades e a fixação da sua identidade 1.1.2 A noite, para o eu poético, é um momento de serenidade que lhe proporciona o prazer de saborear cada aroma cadente, isto é, cada ponto, cada situação com que se deparou durante o dia. É um tempo de meditação. 1.1.3 (a) Metáfora. Sugestivamente, o eu poético relaciona o princípio material da vida na natureza com o princípio de vida e aprendizagem no ser humano. (b) O húmus é a matéria orgânica do solo composta por detritos vegetais e animais, a parte fértil da terra, origem da fertilidade da natureza, da agricultura. O húmus inicia a transformação, aquilo que proporciona a fecundidade. Para o eu poético, o húmus, as suas vivências, com esse poder de transformação, é a matéria a ser trabalhada na vida, crê o eu poético. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II – MARKING GUIDELINES Page 3 of 8 1.2 "Sedia-m'eu na ermida de San Simon", de Meendinho 1.2.1 É uma cantiga de amigo porque exprime o lirismo amoroso feminino sendo repetida a palavra 'amigo' com o significado de namorado. É uma barcarola, visto haver a vizinhança do mar e elementos marítimos. É uma paralelística. 1.2.2 Época medieval, período trovadoresco séculos XII–XIII. 1.2.3 A jovem foi encontrar-se com o amigo na ermida à beira mar. É um lugar religioso onde se faria sentir a proteção de Deus. Ironicamente nada protege a jovem da morte certa. A ermida é um lugar de desencontro. Não tem salvação e entrega-se ao seu destino. 1.2.4 O primeiro verso expressa o medo da jovem à medida que vê que as ondas vão aumentando de tamanho. O mar apresenta-se como elemento perigoso. O segundo verso veicula uma maior aflição da jovem, o pânico, que não tem ninguém que a auxilie naquele momento de aflição, a morte é inevitável. 1.3 "Ai Palavras", Cecília Meireles Basicamente, espera-se que as respostas incluam o seguinte: O poema chama a atenção para o estranho poder das palavras. É por palavras que exteriorizamos as nossas vivências, é por palavras que comunicamos, que expressamos os nossos sentimentos, ideias e pensamentos, transmitimos conhecimentos. É através das palavras que nos inserimos no mundo. As palavras são dotadas de uma estranha força: podem ser positivas ou negativas. Usam-se as palavras para o bem, ou para o mal, e aí reside a estranha força das palavras, pois elas criam raízes. As palavras modificam-se, transformam-se em busca do sentido ou de sentidos, porque os sentidos estão sempre em aberto. A palavra transfigura-se no plano da expressão. A linguagem poética, retórica ou política não é fechada e é nessa busca de sentidos que as palavras podem ser imbuídas de um significado negativo. Palavras caídas em desuso voltam a renascer com outros sentidos, por isso Cecília diz «Sois de vento, ides no/vento, quedais com/sorte nova!». Em poesia as palavras tornam-se leves, vigorosas, assumem novos significados. As palavras são poderosas. Cecília Meireles alude à riqueza do léxico, que se espera que seja relacionado com os versos brancos. 1.4 «Círculo» de Alda Lara A análise deve demonstrar conhecimento da temática: a dúvida do sujeito poético quanto à sua vida, a ansiedade, o desespero por não ter conseguido fazer mais. Deve também fazer-se referência à mancha gráfica. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II – MARKING GUIDELINES Page 4 of 8 PERGUNTA 2 POEMA DESCONHECIDO / UNKNOWN POEM «Xicuembo» de Francisco Rui Moniz Barreto O uso das pessoas verbais erradas revelam o eu poético como um homem inculto, que por meio de anáforas e redundâncias grita a sua dor por se ter apaixonado por uma prostituta. Classifica a amada como uma feiticeira, alguém que encanta pelos olhos. Apaixonou-se ao mergulhar o olhar nos olhos da amada, paixão tão forte que é como se se tivesse viciado em suruma (haxixe). Tal como alguém se pode tornar um tóxicodependente, o eu não consegue libertar-se do amor que tanta dor lhe causa, amor tamanho que lhe tira a vontade de viver. eu bebeu suruma .../suruma dos teus ólho Ana Maria .../eu bebeu suruma oh suruma suruma agora eu quere dormir quere comer/mas não pode mais dormir/mas não pode mais comer com meu todo vontade/com meu todo coração é mulher de todo gente/é mulher de todo gente/todo gente todo gente As anáforas e redundâncias (que devem ser indicadas) intensificam a dor do eu poético. O poema termina com o que se pode chamar um grito de revolta do eu poético por saber que a amada é uma prostituta, todos a podem ter menos ele. A linguagem falada realça o estilo confessional. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II – MARKING GUIDELINES Page 5 of 8 SECÇÃO B ROMANCE/NOVEL PERGUNTA 3 As mulheres de meu pai de José Eduardo Agualusa 3.1 A – Descrição B – Narração C – Reportagem D – Reflexão E – Epistolar 3.2 Laurentina é a pretensa filha de Faustino Manso. Vai a Angola para conhecer algo da vida do seu suposto progenitor, que encontra já morto. Fica em Angola a investigar a vida de Faustino e a lançar-se ao conhecimento das raízes e de África. Despertada a curiosidade, decide conhecer a cultura e a forma como o pai biológico vivera. Inicia uma viagem que a leva de Angola a Moçambique, passando pela África do Sul. 3.3 O narrador é Mandume, um português da nova geração descendente de africanos que acompanha Laurentina a África. 3.4 São estes os pontos que se espera que sejam abordados na resposta, embora se saiba que não será tão extensa: Mariano Maciel ou Mandume é filho de um casal angolano cujos familiares foram assassinados pelo regime angolano pós-independência e rejeitaram a nacionalidade angolana (africana). Mandume rejeita também a identidade africana e afirma 'Nunca gostei de África. […] Raízes? Raízes têm as plantas e é por isso que não se podem mover. Eu não tenho raízes. Sou um homem livre.' Há um choque de culturas e de costumes que se nota na intolerância de Mandume. Mandume afirma categoricamente que é português: 'Nasci em Lisboa. Sou português. Houve uma fase da minha vida, entre as dores e os ardores da adolescência, em que tive dúvidas. Não sabia muito bem a que mundo pertencia.' (p. 70), mas no presente está convicto da sua identidade portuguesa. Mandume não se identifica com África, não se integra no espaço, não se identifica com os costumes diferentes daqueles com que fora criado; afastara-se das suas raízes e fora criado num ambiente diverso, ao qual sentia que pertencia. Repete incessantemente 'Eu não sou daqui.' A repetição indica que a viagem lhe toca no íntimo, mas Mandume rejeita essa compreensão. É como se Mandume pretendesse fixar-se para sempre como português. É uma rejeição da sua origem angolana, uma rejeição da construção da sua identidade que esconde, no íntimo, a dúvida. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II – MARKING GUIDELINES Page 6 of 8 Quando regressa a Lisboa, elogia a cidade e o motorista do táxi responde:"— Isto nunca esteve tão mal, uma choldra!. Você não percebe porque é estrangeiro..." Ofendido, Mandume responde: " — Eu não sou estrangeiro, meu caro senhor, sou português!" " — Você é português?! Ah! Ah! Então eu sou sueco". (p. 536). Mandume é negro e, para o motorista, isso é o suficiente para o julgar como africano e não como português, ou melhor, não é europeu. É a resposta a Mandume, a resposta à rejeição da sua identidade angolana. Para Mandume, porém, não é a cor da pele que determina a origem ou nacionalidade de um indivíduo. 3.5 Laurentina vai a Angola para conhecer o pai; à chegada sabe que acabara de falecer. É informada de que Faustino Manso deixara sete viúvas e mais de 18 filhos. Isto desperta-lhe a curiosidade, e decide conhecer a cultura e a forma como o pai biológico vivera. Inicia-se a viagem ‒ viagem de busca, reconhecimento e fixação ou rejeição da identidade africana ‒ de Angola a Moçambique, passando pela África do Sul. A viagem leva as personagens a lugares variados, onde as vozes narrativas são diferentes e, sempre que Laurentina entrevista alguém que tenha conhecido Faustino Manso e lhe conta a sua vida aventurosa, é como se ela própria a tivesse vivido também. No entanto, no fim do livro sabe-se que Faustino Manso era estéril, desmitificando-se a ideia de que deixara 18 filhos. É essa a verdade a que Seretha du Toit se refere. 3.6 O narrador serve-se da antítese em «... despidos de folhas, mas cobertos de flores». Usa também a comparação em «pousadas sobre os ramos nus como espantados flocos de neve». Verifica-se ainda a personificação em «espantados flocos de neve». 3.7 As 9 mulheres representam as 9 mulheres que Faustino Manso tivera na vida. Todas lhe tinham dado filhos mas, como se descobre que ele era estéril, conclui-se que todas lhe tinham sido infieis porque os filhos não eram de Faustino. A décima mulher representa Seretha du Toit, a única mulher que não tinha engravidado, a única que lhe fora fiel. OU PERGUNTA 4 As mulheres de meu pai de José Eduardo Agualusa Em breves palavras, espera-se que, entre outros elementos, os candidatos foquem também o seguinte: Laurentina inicia a viagem como portuguesa mas, no decorrer dela, identifica-se cada vez mais com África. Tem finalmente conhecimento que o pai biológico era o homem que a criara, assim se fechando o círculo da busca do pai. No fim sente-se africana e regressa a Portugal grávida de um africano (poderemos considerar aqui o sub-círculo da identidade). No que respeita a Faustino, a viagem inicia-se na crença de que fora um conquistador, um homem por quem todas as mulheres se apaixonavam e davam filhos. No fim descobre-se que era estéril e que os 18 filhos não eram dele. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II – MARKING GUIDELINES Page 7 of 8 SECÇÃO C TEATRO/DRAMA PERGUNTA 5 Felizmente há Luar, de Luís de Sttau Monteiro 5.1 Manuel é o mais conscientes dos populares. Denuncia a opressão a que o povo tem estado sujeito, devido às Invasões Francesas e à 'protecção' britânica, após a retirada do rei D. João VI para o Brasil, e a incapacidade de conseguir a libertação e de sair da miséria em que se encontra. Revela o desânimo, a impotência e a passividade da massa popular perante a situação. 5.2 Após a derrota da última invasão francesa, o rei continua no Brasil, não regressa a Portugal. Delega o poder em três indivíduos de características semelhantes: D. Miguel Forjaz, Principal Sousa e General Beresford. São todos calculistas e interesseiros, prepotentes e autoritários. D. Miguel está corrompido pelo poder; o Principal Sousa está também corrompido, porém pelo poder eclesiástico, é fanaticamente religioso; o General Beresford, o comandante supremo do exército, é um oportunista que despreza os portugueses. Estes, com o auxílio dos ingleses, tinham conseguido expulsar os franceses, mas, por intermédio de Beresford, que continuara em Portugal, fazia-se sentir enorme influência inglesa. Gera-se a tirania, a opressão, a traição e a injustiça; o povo, principalmente os que se mostrassem contra a situação, seriam perseguidos por todas as formas. 5.3 Manuel, popular, assume uma atitude testemunhal em relação à situação de Portugal, expondo como se vivia. Passam dos franceses aos ingleses, mas com os franceses derrotados continuam os ingleses. Passam de uns para outros. Enquanto os governantes se preocupavam com as rivalidades internas e a tentar sufocar qualquer tentativa de revolta, o povo continuava mergulhado na mesma vaga de tirania e opressão, vivendo com medo de ser denunciado. Continua a ser alienado e a viver na maior miséria. 5.4 O som dos tambores anuncia a possível chegada do exército. Os ajuntamentos eram proibidos porque havia o medo de que se estivesse a conspirar, por isso gera-se o pânico e alguns populares fogem com medo de serem presos injustamente e submetidos a torturas. O som dos tambores representa o som da opressão, da tirania e da injustiça. 5.5 Gomes Freire é o protagonista ausente. Embora nunca apareça, é evocado através da esperança do povo, das perseguições dos governadores e da revolta da sua mulher e amigos. É um estrangeirado, isto é, um apologista da separação dos poderes da monarquia (monarquia constitucional) e por isso é receado pelos governantes. É um soldado brilhante, um grande estratega amado pelo povo. Acredita na justiça e luta pela liberdade. O povo vê-o como defensor da sua opressão, o símbolo de esperança e de liberdade. 5.6 Se Gomes Freire quisesse, podia levar a povo à revolta total contra a presença do rei no Brasil. O triunfo da revolta implicaria a instituição da monarquia liberal. O seu nome não devia ser pronunciado porque era o grande medo dos governantes, que tinham consciência da integridade moral do general e do poder que poderia ter sobre o povo. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II – MARKING GUIDELINES Page 8 of 8 OU PERGUNTA 6 Felizmente há Luar, de Luís de Sttau Monteiro Os candidatos devem começar a resposta pelo significado da frase para Miguel Forjaz e para Matilde. Seguidamente devem proceder à explicação/ interpretação do significado da frase. Para Miguel Forjaz, o luar permitiria que o clarão da fogueira fosse visível e que amedrontasse todos os que desejavam lutar pela liberdade. Para ele, era o exemplo que queria que todos vissem: o que aconteceria a todos que ousassem desafiar a autoridade dos governantes. Para Matilde, o luar permite que o clarão da fogueira seja bem visível, mas com um significado contrário: vê-se-ia a morte de um homem justo e honesto que morre pela liberdade, pela pátria e, assim, o fogo torna-se um símbolo de iluminação dos espíritos daqueles que desejam a liberdade, intensifica a revolta contra a tirania. Intensificar-se-ia o desejo de defenderem e libertarem Portugal ("Soldados que foram sempre a minha gente, defendam Portugal, sejam portugueses."), e daria a todos, até aos mais medrosos e passivos, a capacidade, a coragem de se revoltarem (Não desfaças o herói que está na tua alma!). Total: 80 marks IEB Copyright © 2017

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