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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE EXAMINATION
NOVEMBER 2017
PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II
Time: 2½ hours 80 marks
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Portuguese HL P2 2017 hlayiso.com
Portuguese HL · Grade 12 · 2017. Question paper, 11 pages. Read online or download the PDF.
- Subject
- Portuguese HL
- Grade
- Grade 12
- Document type
- Question paper
- Year
- 2017
- Paper
- 2
- Publisher
- IEB
- Pages
- 11
- File size
- 735.0 KB
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 2 of 11
Esta Secção contém duas (2) perguntas. Responda a duas alíneas da pergunta 1 e a toda
a pergunta 2.
SECÇÃO A POESIA / POETRY
Antes de iniciar as respostas, leia todos os poemas com atenção para lhes
apreender o sentido.
PERGUNTA 1
1.1 Poema vinte e três
"Sinuoso atalho em que me vou cosendo e arrematando", de Guita Jr.
sinuoso o atalho com que me vou cosendo e arrematando
entre uma esquina e outra paro para olhar os transeuntes
a vida é uma recta que fazemos suados aos ziguezagues
espero que a noite caia para saborear cada aroma cadente
quero escutar o silêncio?
quebrar a surdez de todas as pedras?
creio no húmus na origem mais profunda de todas as coisas
do morno grão de areia à cinza fria com que aqueço as mãos
do eclipse total à lágrima contida de uma criança desnuda
é a erva daninha o flagrante vestígio da esperança que flui
1.1.1 Como define o eu poético o seu caminho da vida? Transcreva o
verso em que baseou a sua resposta. (3)
1.1.2 espero que a noite caia para saborear cada aroma cadente
Explique o significado deste verso. (3)
1.1.3 creio no húmus na origem mais profunda de todas as coisas
(a) Nomeie a figura de estilo e comente o seu valor expressivo. (1)
(b) Explique o significado do verso. (3)
[10]
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1.2 "Sedia-m’eu na ermida de San Simon", de Meendinho
Sedia-m'eu na ermida de San Simon
e cercaron-mh as ondas, que grandes son!
eu atendend'o meu amigo,
Eu atendend’o meu aigo!
Esta [ua eu] na ermida ant'o altar,
[e] cercaron-mh as ondas grandes do mar!
eu atendend'o meu amigo,
Eu atendend’o meu amigo!
E cercaron-mh as ondas, que grandes son:
non ey i barqueiro, nen remador.
eu atendend'o meu amigo,
Eu atendend’o meu amigo!
E cercaron-mh as ondas do alto mar;
non ey i barqueiro, nen sey remar!
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend’o meu amigo!
Non ey i barqueyro, nen remador;
[e] morrerey fremosa no mar mayor!
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend’o meu amigo!
Non ey i barqueiro, nen sey remar;
e morrerey fremosa no alto mar!
eu atendend'o meu amigo,
eu atendend’o meu amigo!
1.2.1 A composição poética é uma cantiga de amigo. Justifique esta
afirmação, classificando-a quanto à forma e quanto ao assunto. (2)
1.2.2 Integre a composição na época literária a que pertence. (1)
1.2.3 Discuta em poucas palavras a ironia existente entre o verso Sedia-
m'eu na ermida de San Simon e o verso e morrerey fremosa no
alto mar! (3)
1.2.4 Comente o valor expressivo dos seguintes versos:
e cercaron-mh as ondas, que grandes son! (Repetido nas
estâncias 1 e 2)
non ey i barqueiro, nen sey remar! (Repetido nas estâncias 3
e 4) (4)
[10]
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1.3 "Ai Palavras", Cecília Meireles
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o são poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam…
A palavra apresenta-se como uma arma secreta de grande impacto.
(anónimo)
As palavras são a nossa condenação. Com palavras se ama, com palavras
se odeia. E, suprema irrisão, ama-se e odeia-se com as mesmas palavras.
(Eugénio de Andrade)
Leia os pensamentos. A primeira vez rapidamente, e mais duas vezes com
lentidão, apreendendo-lhes o sentido. Sirva-se deles para elaborar uma
breve análise do poema de Cecília Meireles.
[10]
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1.4 «Círculo» de Alda Lara
Todo o caminho é belo se cumprido.
Ficar no meio é que é perder o sonho.
É deixá-lo apodrecer, no resumido
Círculo, da angústia e do abandono.
É ir de mãos abertas, mas vazias,
De coração completo, mas chagado.
É ter o sol a arder dentro de nós,
Cercado,
Por grades infinitas ...
Culpa de quem, se fiz o que podia,
Na hora dos descantes
E das lidas?
Ah! Ninguém diga que foi minha!
Ah! Ninguém diga ...
Minha, a culpa,
De ter dentro do peito,
Tantas vidas! ...
A vida é feita de círculos como a poetisa recorda no título do poema. Ter-
se-á fechado o círculo para o eu-poético? Lamentará o eu-poético alguma
coisa?
Efectue um pequeno comentário ao poema, tendo em atenção: tema e
caracterização do eu poético através dos sentimentos expressos,
concluindo o seu ensaio com a expressividade do título. Ilustre todas as
suas afirmações com os versos respetivos.
[10]
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PERGUNTA 2 POEMA DESCONHECIDO / UNKNOWN POEM
Esta pergunta é obrigatória.
«Xicuembo» de Francisco Rui Moniz Barreto
eu bebeu suruma
dos teus ólho Ana Maria.
eu bebeu suruma
e ficou mesmo maluco
agora eu quere dormir quere comer
mas não pode mais dormir
mas não pode mais comer
suruma dos teus ólho Ana Maria
matou socego no meu coração
oh matou socego no meu coração
eu bebeu suruma oh suruma suruma
dos teus ólho Ana Maria
com meu todo vontade
com meu todo coração
e agora Ana Maria minhamor
eu não pode mais viver
eu não pode mais saber
que meu Ana Maria minhamor
é mulher de todo gente
é mulher de todo gente
todo gente todo gente
menos meu minhamor
in Silêncio escancarado
O eu poético, de maneira muito sugestiva, exterioriza o seu sofrimento. Elabore a
interpretação do poema considerando a maneira como se desenvolve o tema,
relacionando-o com o valor expressivo das redundâncias.
[10]
30 marks
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SECÇÃO B ROMANCE / NOVEL
Deve responder a uma pergunta de ensaio e a uma pergunta direcionada. Se tiver
respondido ao ensaio na Secção A, nesta secção deve responder a uma pergunta
direcionada, e vice versa.
PERGUNTA 3
As mulheres de meu pai de José Eduardo Agualusa
Leia com atenção os excertos que se seguem, recorde o estudo efetuado e
responda às questões.
A
Insectos zumbiam. Reparei nos frangipanis, despidos de folhas, mas cobertos de flores.
Grandes flores brancas, com cinco pétalas, pousadas sobre os ramos nus como
espantados flocos de neve. Um anjo de pedra orava, de joelhos, mesmo à minha
direita.
B
Saí do quarto batendo com a porta. O que eu queria naquele momento era atirar-me
ao mar. Vim para Luanda porque julguei que esta viagem me aproximaria de
Laurentina. Queria compreendê-la. Não consigo. Ela não permite que eu me aproxime.
C
Durante os anos 60 e 70 João Domingos, líder e vocalista do Conjunto João Domingos,
foi uma figura muito popular em Moçambique. O Conjunto João Domingos tocava em
salões de bailes: Ateneu Grego, actual Palácio dos Casamentos; no Clube dos Chineses,
onde hoje funciona a Escola de Artes Visuais; na Casa do Minho; na Casa das Beiras; no
Clube dos Comorianos.
D
Ainda hoje acordo às vezes com pesadelos. O medo cansa. Quebra um tipo. Eu estava
do lado certo, mas tinha três irmãos do lado errado, e isso pesava contra mim. Os
camaradas olhavam-me de caxexe, assim, de soslaio, estás a perceber?, e eu sabia que
muitos punham em dúvida as minhas convicções.
E
«Minha querida,
conforme o prometido aqui vão cópias de algumas das cartas que Faustino me enviou.
Seleccionei aquelas que poderiam ter mais interesse para o vosso trabalho – e para si,
em particular. Calculo que por esta altura já você deve conhecer a verdade, ou o que
quer que seja que se pareça com a verdade, sobre o seu pai. [...] Seretha du Toit»
F
Dei-lhe os parabéns pela coragem. Acrescentei que me parece um objectivo
terrivelmente ambicioso. Acentuei a palavra «terrivelmente». Vir para Angola para ser
angolano não é o mesmo do que ir para Los Angeles disposto a ser um actor famoso.
G
Eu não sou daqui. Eu não sou daqui. Eu não sou daqui.
Repito isto em silêncio ao longo do dia.
Acho que as pessoas me escutam, escutam o que penso, porque me olham de forma
estranha, um pouco de lado, como uma ave avaliando um predador. Algumas pergunta:
− Não é angolano, pois não?
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Outras não perguntam nada. Digo-lhes na mesma:
− Sou português!
A reacção varia. Um ou outro sorri:
− Eu sou do Sporting.
H
Nove mulheres cobertas por burqas negras evoluíam no palco numa espécie de dança
cega. Uma décima mulher, nua, ou quase nua, o corpo intenso, perfeitamente
desenhado, a arder sob uma luz de bronze, fugia às arrecuas diante delas. Receei não
ter compreendido a intenção da coreógrafa. Seretha du Toit recusou-se a elucidar-me.
3.1 Indique a que género literário pertencem os excertos de A a E. (5)
3.2 O excerto B alude a Laurentina. Esclareça quem é Laurentina e a razão por
que se encontra em Angola. (2)
3.3 Indique o narrador dos excertos B, E e F. (1)
3.4 O narrador por si indicado em 3 passa por uma crise de identidade.
Explicite-a. (5)
3.5 Seretha du Toit julga que Laurentina, quando receber a carta com «cópias
de algumas das cartas que Faustino [lhe] enviou», «já deve conhecer a
verdade [...] sobre o seu pai». Explique que verdade é essa. (5)
3.6 Explique de que recursos estilísticos se serve o narrador do texto A. (2)
3.7 Avalie o simbolismo do texto H. (5)
[25]
OU
PERGUNTA 4
A unidade de ação reside na viagem de Lisboa a Angola, depois daqui a
Moçambique passando pela Namíbia e África do Sul, em busca de informações
sobre Faustino Manso. São evidentes dois círculos narrativos que se iniciam no
início e fecham, ironicamente, no fim da obra. Um diz respeito a Faustino e outro
a Laurentina. Elabore um comentário a esses dois círculos, não se esquecendo
de relacionar um com o outro.
[25]
25 marks
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SECÇÃO C TEATRO / DRAMA
Se, na Secção B, tiver respondido apenas às perguntas direcionadas, deve, nesta
Secção, responder ao ensaio (Pergunta 1, que é uma pergunta de desenvolvimento).
Se, pelo contrário, na Secção acima tiver respondido apenas às perguntas de
desenvolvimento, deve agora responder à Pergunta 2.
PERGUNTA 5
Felizmente há Luar, de Luís de Sttau Monteiro
A peça de teatro em epígrafe visa a denúncia social, religiosa e política da
situação que se viveu em Portugal no século XX, servindo-se de uma situação de
características idênticas do século XIX. Relembrando o estudo que fez desta obra
e do paralelismo que certamente efetuou, responda às perguntas.
ACTO I
Ao abrir o pano, a cena está às escuras, encontrando-se uma única personagem
intensamente iluminada, ao centro e à frente do palco. Esta personagem está
andrajosamente vestida.
Manuel: Que posso eu fazer? Sim: que posso eu fazer? (A pergunta é acompanhada de
um gesto que revela a impotência da personagem perante o problema em causa.) (Dá
dois passos em direção ao fundo do palco, detém-se e continua.)
Vê-se a gente livre dos franceses, e zás!, cai na mão dos ingleses! E agora? Se acabamos
com os ingleses, ficamos nas mãos dos reis do Rossio ... Entre os três o diabo que
escolha ... (Pausa) Deus todo-poderoso para a frente ... Deus todo-poderoso para trás
... Sua Majestade para a esquerda ... Sua Majestade para a direita ... (Pausa) E
enquanto eles andam para trás e para a frente, para a esquerda e para a direita, nós
não passamos do mesmo sítio!
Ilumina-se subitamente, o fundo do palco. De pé e sentadas, várias figuras populares
conversam. Algumas dormem estendidas no chão. Uma velha, sentada num caixote,
cata piolhos a uma rapariga nova.[...]
Começa a ouvir-se, ao longe, o ruído de tambores. Algumas personagens mostram certa
agitação.
Manuel: Que é isto? (Todos se levantam e escutam a medo. Alguns pegam nos seus
objetos e preparam-se para fugir. O ruído afasta-se. Ficam todos calados, indecisos.)
1o Popular: Não vêm para cá.
Antigo Soldado: Estas cantigas são inventadas no regimento de Freire d’Andrade. São
cantadas com o estilo De lá ré ó liberdade.
1o Popular: Onde aprendeu vossemessê isso?
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Antigo Soldado: Em Campo de Ourique – já lá vão mais de dez anos – quando eu era
soldado do regimente de Gomes Freire ... Aqui onde me veem já andei nas guerras ...
(Tom de quem evoca o passado com saudade.)
Rita: Com o general?
Antigo Soldado: Com o general, pois! (O grupo começa a prestar atenção ao diálogo.)
Uma velha: E foi na guerra que aprendeu a cantar? (Juntam-se todos à volta do
soldado.)
Antigo Soldado: Ora deixem ver ... Uma noite os rapazes lá do quartel organizaram
uma festa. A rapaziada fardada no meio do povo ... E raparigas? Onde aparecia o
regimento de Gomes Freire não faltavam raparigas!
Uma voz: E ele?
Antigo Soldado: Ele?
Outra voz: O general, homem ...
Antigo Soldado: (Fala com entusiasmo.) Um amigo do povo! ... Um homem às direitas!
Quem fez aquele não fez outro igual ...
Manuel: Se ele quisesse ... (Silêncio pesado. As personagens olham para os lados.
Foram longe de mais e sabem-no.)
5.1 Esclareça quem é Manuel. Por que razão se sente impotente? (4)
5.2 Vê-se a gente livre dos franceses, e zás!, cai na mão dos ingleses.
Explique qual era a situação que se vivia em Portugal no presente do
drama. (4)
5.3 Esclareça por que Manuel diz E enquanto eles andam para trás e para a
frente, para a esquerda e para a direita, nós não passamos do mesmo
sítio! (5)
5.4 Justifique a atitude das personagens quando se começa a ouvir o ruído dos
tambores. (4)
5.5 A menção do nome de Gomes Freire provoca o interesse e parece que o
respeito das personagens. Explique porquê. (4)
5.6 Se ele quisesse ... Repare na atitude das personagens perante a frase de
Manuel. Comente o que implica a frase de Manuel e a reação das
personagens. (4)
[25]
OU
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PERGUNTA 6
"Soldados que foram sempre a minha gente, defendam Portugal, sejam
portugueses." (Últimas palavras de Gomes Freire de Andrade)
Não desfaças o herói que está na tua alma! (Friedrich Nietzsche)
Recordando todo o estudo efetuado da obra desta questão, desenvolva as ideias
acima partindo do título: Felizmente há luar!
[25]
25 marks
Total: 80 marks
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