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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE EXAMINATION
NOVEMBER 2019
PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II
Time: 2½ hours 80 marks
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Portuguese HL P2 2019 hlayiso.com
Portuguese HL · Grade 12 · 2019. Question paper, 10 pages. Read online or download the PDF.
- Subject
- Portuguese HL
- Grade
- Grade 12
- Document type
- Question paper
- Year
- 2019
- Paper
- 2
- Publisher
- IEB
- Pages
- 10
- File size
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1 of 10
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 2 of 10
Esta Secção contém duas (2) perguntas. Responda a duas alíneas da Pergunta 1 e a toda
a Pergunta 2.
SECÇÃO A POESIA / POETRY
Antes de iniciar as respostas, leia todos os poemas com atenção para lhes
apreender o sentido.
PERGUNTA 1
1.1 "O Infante", de Fernando Pessoa
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
1.1.1 Refira o mito subjacente ao poema e transcreva os versos ou as
expressões com que esse mito é definido. (5)
1.1.2 Interprete o sentido dos dois últimos versos, tendo em conta o seu
conhecimento geral da obra Mensagem da qual o poema foi
extraído. (5)
[10]
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 3 of 10
1.2 "Para lá da praia", de Alda do Espírito Santo
Baía morena da nossa terra
vem beijar os pézinhos agrestes
das nossas praias sedentas,
e canta, baía minha
os ventres inchados
da minha infância,
sonhos meus, ardentes
da minha gente pequena
lançada na areia
da Praia Gamboa morena
gemendo na areia
da Praia Gamboa.
Canta, criança minha
teu sonho gritante
na areia distante
da praia morena.
Teu teto de andala
à berma da praia.
Teu ninho deserto
em dias de feira.
Mamã tua, menino
na luta da vida
gamã pixi à cabeça
na faina do dia
maninho pequeno, no dorso ambulante
e tu, sonho meu, na areia morena
camisa rasgada,
no lote da vida,
na longa espera, duma perna inchada
Mamã caminhando p’ra venda do peixe
e tu, na canoa das águas marinhas …
— Ai peixe à tardinha
na minha baía …
Mamã minha serena
na venda do peixe.
1.2.1 Indique a quem é o poema dirigido. Transcreva o verso ou
expressão comprovativos da sua resposta. (2)
1.2.2 Comente o significado e a expressividade das palavras e
expressões sublinhadas tendo em conta a ideologia do poema. (7)
1.2.3 Transcreva o verso que implicitamente representa o sonho da
liberdade. (1)
[10]
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 4 of 10
1.3 "Crónica supostamente ecológica", de João Melo
Aqui havia grandes naturais espaços
com árvores fartas e amigas que
tinham pássaros nos ramos
Mas um dia esses espaços sendo
abertos livres passaram a devolutos
e foram inundados de arranha-céus
Essas vítreas construções as pessoas
ao vê-las tornam-se irritadiças
mas inutilmente conspirativas
Até os pássaros debandam
segundo o poeta defecam na cidade
e os homens ficam melancólicos
E as crianças coitadas essas então
já não brincam à vontade as suas
brincadeiras entrarão no folclore
Moral está tudo lixado precisamos
arranjar hábitos de pedra
mas amanhã estaremos todos corrompidos
Proceda ao comentário da composição poética tendo em conta o tema e o
seu desenvolvimento.
[10]
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 5 of 10
1.4 "O único impossível", de Ovídio Martins
Mordaças
A um poeta?
Loucura!
E por que não
Fechar na mão uma estrela
O Universo num dedal?
Era mais fácil
Engolir
o mar
Extinguir o brilho aos astros
Mordaças
A um poeta?
Absurdo!
E por que não
Parar o vento
Travar todo o movimento?
Era mais fácil deslocar montanhas com uma flor
Desviar cursos de água com um sorriso
Mordaças
A um poeta?
Não me façam rir! ...
Experimentem primeiro
Deixar de respirar
Ou rimar ... mordaças
Com liberdade
Proceda a uma breve interpetação da composição poética tendo em conta
o tema e o seu desenvolvimento.
[10]
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 6 of 10
PERGUNTA 2 POEMA DESCONHECIDO / UNKNOWN POEM
Esta pergunta é obrigatória.
Vai-se a primeira pomba despertada ...
Vai-se outra mais ... mais outra ... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada ...
Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem ... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.
Raimundo Correia
Divida o poema nos seus dois momentos lógicos e comente cada um deles, tendo
em atenção o assunto de cada um desses momentos e a expressividade das
figuras de estilo para a compreensão do tema.
[10]
30 marks
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 7 of 10
SECÇÃO B ROMANCE / NOVEL
Deve responder a uma pergunta de ensaio e a uma pergunta direcionada. Se tiver
respondido ao ensaio na Secção A, nesta secção deve responder a uma pergunta
direcionada, e vice versa.
PERGUNTA 3
As mulheres de meu pai, de José Eduardo Agualusa
Leia com atenção os excertos que se seguem, recorde o estudo efetuado e
responda às questões.
Excerto A
O meu pai, de pés, de costas para nós. O meu pai, ou melhor, o homem que até
àquela tarde eu acreditava que fosse o meu pai. Está agora sentado diante de mim. (...)
deve ter ensaiado a pergunta noites a fio na solidão do seu quarto de viúvo:
─ De quantas verdades se faz uma mentira?
Fica calado um momento, o olhar perdido em algum ponto atrás de mim, depois
acrescenta com ênfase:
─ Muitas, Laurentina, muitas! Uma mentira, para que funcione, há-de ser
composta por muitas verdades. (...)
...........................................................................................................................
Excerto B
Infeliz coincidência. Não sei como lhe chamar. Faustino Manso, o meu pai, morreu
ontem à tarde.
«Morreu o Seripipi Viajante – Faustino Manso, 81 anos, faleceu na madrugada de
ontem (...) após prolongada doença. Manso foi um músico muito popular durante os
anos 60 e 70, não apenas em Angola, mas em toda a África Austral. Viveu em diversas
cidades angolanas, e também em Cape Town, África do Sul, e em Maputo, então
Lourenço Marques».
..............................................................................................................................
Excerto C
A vivenda do general N’Gola fica no centro de um pequeno jardim tropical, com
palmeiras, bananeiras, um lago redondo com um repuxo e peixes vermelhos. Havia
diversas mesas de ferro dispostas ao redor de uma piscina muito bonita. As pessoas
conversavam tranquilamente. Bebiam e comiam. À mesa em que nos sentaram estava
um jovem empresário (...) acompanhado pela mulher, uma rapariga gordinha, com um
rosto perfeito, recém-formada em economia no Rio de Janeiro. Estava ainda um rapaz
alto, de ombros largos, que me cumprimentou com alegre irreverência:
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER II Page 8 of 10
─ Tia Laurentina, acertei? A avó contou-me. Houve quem tivesse feito apostas
sobre quantos filhos do avô Faustino, filhos desconhecidos, claro, iriam aparecer no
funeral. Apareceram dois, você e um militar, lá do Sul ... (...)
Mandume interrompeu-o:
─ Quantos filhos teve o seu avô?
Bartolomeu riu-se. Riram-se com ele o empresário e a mulher:
─ Segundo o avô dizia, dezoito. Sete mulheres e dezoito filhos.
─ Era um homem africano. – O empresário piscou-me o olho cúmplice. – Aqui em
África ainda sabemos fazer filhos, não é como vocês lá na Europa.
.......................................................................................................................................
Excerto D
No hospital encontrei um velho amigo. Não o reconheci imediatamente. Ele sim:
─ Como está? Gosto de a ver com saúde ...
Sorriu, e então sim, sim, reconheci-o: Sorriso, o médico que me tratou em
Maputo. Quis saber se eu estava na Ilha em turismo ou em trabalho. Expliquei-lhe que
realizava um documentário sobre a vida do músico angolano Faustino Manso. Dizia-lhe
alguma coisa o nome? Amândio Pinto de Sousa sobressaltou-se:
─ O Faustino? É claro! Faustino foi um dos meus melhores amigos!
Contei-lhe então toda a minha história. O velho médico escutou-me em silêncio.
Segurou-me a mão.
─ Eu conheço a tua mãe, dona Alima, posso levar-te a casa dela. Mas acho
melhor, antes disso, confiar-te um segredo – suspirou. – Nem sei como começar ...
Quando estavas doente, com febre, a delirar, disseste que o teu pai se chamava Dário
Reis. Eu também conheci o Dário Reis. Agora vens dizer-me que, afinal, o teu pai não é
o Dário, é o Faustino ... Bem, o que te vou contar vai, talvez, perturbar-te ainda mais.
Acontece que já depois da Alima engravidar, supostamente do Faustino, o Faustino
teve um problema desagradável, e veio procurar-me para o tratar. Aproveitei para
fazer uma série de testes e descobri que ele era estéril ...
─ ... Que tinha ficado estéril devido a esse problema? ...
─ Não, não, princesa! Foi sempre estéril.
─ Absurdo! Deixou dezoito filhos! Falei com alguns deles ...
─ Bem sei. Dezoito filhos e nenhum deles biológico.
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3.1 "─ De quantas verdades se faz uma mentira?" Interprete a interrogação à
luz da trama do romance. (7)
3.2 "─ Segundo o avô dizia, sete mulheres e 18 filhos."
Faustino Manso viajou por Angola, Moçambique e outros locais da África
Austral. Face a esta asserção e ao facto de Faustino Manso ser apenas
mencionado, comente o simbolismo desta personagem. (7)
3.3 "─ Era um homem africano – O empresário piscou-me o olho cúmplice. –
Aqui em África ainda sabemos fazer filhos, não é como vocês lá na
Europa."
Analise o significado da transcrição. (7)
3.4 Classifique o tipo de narrador presente nos excertos. Transcreva as
expressões em que assenta a sua resposta. (4)
[25]
OU
PERGUNTA 4
No romance, duas situações narrativas estruturam o enredo. Uma se pauta pela
veracidade, confirmada através de nomes de personalidades vivas como a do próprio
autor do livro. A outra é vista exclusivamente como criação ficcional, anunciada como
produto da primeira. Ambas resultam de viagens empreendidas por dois grupos.
(José Luís Fornos in "Cronotopias multicuturais e polifonia em As mulheres do meu pai")
Aborde a situação paralela da viagem real e da viagem ficcional.
[25]
25 marks
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SECÇÃO C TEATRO / DRAMA
Se na Secção B tiver respondido apenas à Pergunta 3, deve, nesta Secção, responder ao
ensaio (Pergunta 6, que é uma pergunta de desenvolvimento). Se pelo contrário, na
Secção acima tiver respondido apenas à Pergunta 4 (ensaio), deve agora responder à
Pergunta 5.
PERGUNTA 5
Felizmente há luar, de Luís de Sttau Monteiro
Ao observamos a organização do tempo e do espaço bem como as informações
históricas apresentadas no drama, não nos ocorre pensar em todo o processo que tal
peça de teatro envolveu. O passado, enquanto objeto de estudo, serve de inspiração
para o presente em todas as suas dimensões. Assim, romances ou dramas históricos
ensinam duas histórias: a do romance / drama e a da época em que foi escrito. Escrever
romances ou peças de teatro pode ser mais difícil que escrever livros de História.
[Adaptado: <www.público.pt>]
5.1 Identifique o espaço e o tempo da peça de teatro. (3)
5.2 Abstraia a mensagem da obra. (5)
5.3 Considere o conflito social que se constata da primeira à última folha. (5)
5.4 Detenha-se na semelhança da situação dramatizada com o presente da
escrita do drama. (7)
5.5 Avalie o simbolismo do luar e do fogo. (5)
[25]
OU
PERGUNTA 6
D.MIGUEL
─ O povo fala ... E que interessa o que diz o povo?
A partir da fala acima, analise a situação que se vivia na trama e a
intencionalidade paralela da peça de teatro.
[25]
25 marks
Total: 80 marks
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