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Portuguese HL P1 2017 hlayiso.com

Subject: Portuguese HLGrade 1220177 pages
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Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE EXAMINATION NOVEMBER 2017 PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER I Time: 2 hours 70 marks PLEASE READ THE FOLLOWING INSTRUCTIONS CAREFULLY 1. This question paper consists of 7 pages. Please check that your question paper is complete. 2. Answer ALL questions in the Answer Book. 3. Number your answers exactly as the questions are numbered. 4. Start each section on a new page. 5. It is in your own interest to write legibly and to present your work neatly. IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER I Page 2 of 7 SECÇÃO A COMPREENSÃO / COMPREHENSION Leia com atenção o texto que se segue e responda sucinta e claramente às perguntas. Responda sempre por suas próprias palavras. A mera cópia do texto não será aceite. Somos um país de medrosos António Coimbra de Matos, 86 anos, dedicou grande parte da sua atividade ao estudo da depressão. Admite que estaremos provavelmente a viver um período de depressão coletiva. Diria que estamos a passar por uma depressão coletiva? Há uma maior incidência de depressões. Em certos momentos podemos falar de uma depressão coletiva. Há pouco tempo foram divulgados números que revelam um aumento dos casos de suicídio em Portugal. Sim. Quando há guerras e revoluções a depressão e os suicídios diminuem porque as pessoas se revoltam. Quando as pessoas não se revoltam, é que se suicidam; quando se sujeitam, quando não têm condições para protestar com mais veemência. Em Portugal, não somos lá muito bons nisso, na capacidade de revolta coletiva, pois não? Não, somos um bocado passivos. Os espanhóis são muito mais agressivos, revoltam-se muito mais. Sim, nas imagens das manifestações em Espanha ou na Grécia vemos um grau de revolta que não identificamos em Portugal. Isso é verdade. Somos mais susceptíveis? Sim. E mais delicados, mais medrosos. Somos um país de medrosos. Vê uma continuidade de caráter ao longo dos séculos no povo português? Repare na nossa luta contra os árabes, no princípio da nacionalidade: conseguimos conquistar território mais facilmente porque o Afonso Henriques e os outros não matavam os árabes. A maior parte dos alcaides foram feitos governadores civis. Já os espanhóis chegavam lá e liquidavam os alcaides: substituíam-nos logo e às vezes até os matavam. Nós fomos mais diplomatas. Identifica nisso um traço de continuidade? Sim. Percebi-o ainda na instrução primária. Ouvia dizer que Afonso Henriques era um mata-mouros. Não, não era um mata-mouros. Eles conquistavam as mouras e não precisavam de liquidar os mouros. Na maior parte das vezes aproveitaram a estrutura montada pelos árabes. IEB Copyright © 2017
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER I Page 3 of 7 O facto de nos revoltarmos menos do que outros povos, significa que somos mais atreitos à depressão? Não sei dizer ao certo, haverá vários fatores para isso. Um dos fatores é a nossa história, os homens iam para a guerra, colónias, descobrimentos, e os filhos ficavam com as mães. Nas famílias em que o pai está ausente, isso cria uma menor agressividade, fica- se mais passivo. Também reconstruímos e reinventamos o passado. Sim, mas vivemos do futuro, não do passado. Infelizmente nem sempre é assim, mas é assim que deve ser. Andamos a olhar demasiado para o espelho retrovisor? Andamos. De uma maneira geral, nos países europeus. É o peso da história. E também a coisa cultural: os europeus são mais conservadores. Quais são as novas patologias? Há uma maior quantidade de traços de psicose, narcisismo, borderline. Porque as relações são mais superficiais, menos íntimas, não há familiaridade. Deixou de haver a confiança, a colaboração mútua. A visibilidade social tem a ver com um papel progressivamente maior dos media; os media são indutores de ansiedade? Não. Isso é outra história. A informação elucida as pessoas. Sabendo as pessoas os perigos que existem, não vejo perigo nenhum nisso. O perigo é não informar. Se por absurdo tivesse à disposição uma máquina do tempo, para onde escolheria viajar? Para o futuro. O passado passou, que é que ia fazer com o passado? Não gostava nada de voltar atrás, gostava de ter mais 100 anos à frente. O bife que me interessa é o que vou comer logo à noite, não é o que comi ontem [risos]. [Fonte: Carlos Vaz Marques, <www.publico.pt> Texto com supressões] 1. O que está implícito em «Quando as pessoas não se revoltam, é que se suicidam; quando se sujeitam, quando não têm condições para protestar com mais veemência» (4ª fala). (3) 2. «Somos um país de medrosos». Depois de ler este período, que tipo de reação espera António Coimbra de Matos causar no leitor? (2) 3. Em não mais que 50 palavras, argumente contra a opinião do entrevistado de que «Nas famílias em que o pai está ausente, isso cria uma menor agressividade, fica-se mais passivo». (3) 4. Comente o que está implícito na frase «Sim, mas vivemos do futuro, não do passado. Infelizmente nem sempre é assim, mas é assim que deve ser». (3) IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER I Page 4 of 7 5. Contraste o comportamento português na época da luta contra os mouros com o dos espanhóis e diga com qual deles concorda. (4) 6. Explique as possíveis condicionantes que podem levar os países europeus a olharem demasiado para o espelho retrovisor. (4) 7. De acordo com António Coimbra de Matos, na sociedade de hoje há traços de doenças neurológicas, como a psicose e o narcisismo. Justifique essa análise. (3) 8. Concorda com a opinião de Coimbra de Matos sobre os media? Explique a sua opinião em não mais que 30 palavras. (4) 9. Caraterize Coimbra de Matos através da frase «O bife que me interessa é o que vou comer logo à noite, não é o que comi ontem [risos]». (4) 30 marks IEB Copyright © 2017
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER I Page 5 of 7 SECÇÃO B RESUMO / SUMMARY 10. Leia com muita atenção o texto que se segue. Efetue seguidamente o seu resumo em cerca de 60 palavras. POR QUE NÃO NOS LEMBRAMOS DE QUANDO ÉRAMOS BEBÉS? É consenso entre os especialistas que os primeiros anos de vida são fundamentais na formação de cada indivíduo, mas apesar da importância que eles têm, não é possível lembrar do que vivemos antes de completar 30 meses, ou dois anos e meio de idade. Ainda que as experiências vividas na primeira infância possam resultar em traumas ou em associações afetivas que duram pelo resto da vida, ninguém é capaz de identificar lembranças de quando era bebé. De acordo com André Frazão, coordenador do laboratório de cognição do Instituto de Biociências da USP, existem diversas causas para o esquecimento dos primeiros anos, e deve-se, principalmente, às constantes mudanças estruturais que ocorrem no cérebro das crianças. Nos primeiros anos de vida, o sistema nervoso central ainda não está totalmente desenvolvido. "Nascemos com um encéfalo que tem cerca da metade do tamanho que terá no adulto, isso significa que a estrutura vai mudar, vão aparecer novas células e novas conexões neuronais", diz Frazão. Mas o encéfalo ainda pouco desenvolvido não significa que os conhecimentos a respeito do mundo não sejam registados, apenas que eles são arquivados de outra forma, noutro contexto e com outras referências, transformando-se numa informação que não podemos mais acessar quando adquirimos a linguagem e interpretamos o mundo com outros métodos. Mas as memórias dos primeiros meses continuam a influenciar-nos inconscientemente na vida adulta. "Por exemplo, o dia em que a sua mãe lhe deu um cachorrinho com um ano de idade que adorou: este acontecimento não se consegue identificar, mas as consequências afetivas de criar um vínculo com o cachorrinho são importantes para os próximos vínculos que você criar na vida", explica o especialista. Frazão ainda ressalta que a amnésia infantil se refere à memória declarativa, a memória que utilizamos para relatar eventos ou para "reviver" situações. Mas aprendizados como andar e falar são outro tipo de memória que não se perde com a idade. E mesmo eventos não identificáveis pontualmente transformam a criança, já que "a construção da vida é uma linha", na qual os primeiros acontecimentos têm relação com os posteriores, diz o pesquisador. [Texto adaptado : <https://noticias.terra.com.br>] 10 marks IEB Copyright © 2017 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER I Page 6 of 7 SECÇÃO C FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA / LANGUAGE 11. Indique a diferença de sentido entre as duas primeiras frases (A e B) e justifique a sua resposta. A Admite que estaremos provavelmente a viver um período de depressão coletiva. B Provavelmente admite que estaremos a viver um período de depressão coletiva. (5) 12. Indique que relação estabelece a conjunção mas com a oração anterior. «A depressão é uma coisa individual mas há situações em que aparecem mais casos depressivos.» (2) 13. Classifique o grau em que se encontra o adjetivo agressivos em «Os espanhóis são muito mais agressivos ...» (2) 14. «Há uma maior incidência de depressões». Substitua a palavra sublinhada por outra de sentido equivalente. (2) 15. «Há pouco tempo foram divulgados números que revelam um aumento dos casos de suicídio em Portugal». Dê uma definição de dicionário para a palavra sublinhada. A definição deve incluir a parte do exemplo e uma definição. (4) 16. «Não, não era um mata-mouros». Classifique a palavra mata-mouros quanto ao processo de formação. (2) 17. Explique a diferença de sentido entre as palavras sublinhadas nos dois períodos acima. D. Afonso Henriques era um mata-mouros. D. Afonso Henriques era um mata mouros. (5) 18. «As coisas evoluem investigando, não é acumulando conhecimentos». Explique o valor expressivo da utilização dos dois gerúndios. (3) IEB Copyright © 2017
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE HOME LANGUAGE: PAPER I Page 7 of 7 19. Faça corresponder aos elementos da coluna A um dos elementos da coluna B de modo a obter informações verdadeiras. A B 1. Nós somos um bocado (a) O enunciador apresenta um passivos. Os ato ilocutório expressivo. espanhois são muito mais agressivos, (b) O enunciador ridiculariza uma revoltam-se muito situação. mais. (c) O enunciador expressa uma ideia contraditória. 2. Sim. E mais delicados, mais medrosos. (d) O enunciador apresenta uma Somos um país de ideia de exclusividade. medrosos. (e) O enunciador insere-se no próprio enunciado. 3. Não, não era um mata-mouros. Eles (f) O enunciador expressa uma conquistavam as ideia de simultaneidade. mouras e não precisavam de matar (g) O enunciador expressa uma os mouros. ideia de adicionação. (h) O enunciador apresenta uma 4. Não sei dizer ao certo, metáfora hiperbólica. haverá diversos fatores para isso. (i) O enunciador apresenta uma questão retórica. 5. ... os homens iam para (j) O enunciador apresenta uma a guerra ou para as ideia disjuntiva. colónias ou para os descobrimentos. (k) O enunciador usa conetores de coesão textual. (5) 30 marks Total: 70 marks IEB Copyright © 2017

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