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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE EXAMINATION
NOVEMBER 2019
PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II
MARKING GUIDELINES
Time: 2 hours 70 marks
These marking guidelines are prepared for use by examiners and sub-examiners,
all of whom are required to attend a standardisation meeting to ensure that the
guidelines are consistently interpreted and applied in the marking of candidates'
scripts.
The IEB will not enter into any discussions or correspondence about any marking
guidelines. It is acknowledged that there may be different views about some
matters of emphasis or detail in the guidelines. It is also recognised that,
without the benefit of attendance at a standardisation meeting, there may be
different interpretations of the application of the marking guidelines.
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Portuguese FAL P2 Memo 2019 hlayiso.com
Portuguese FAL · Grade 12 · 2019. Memorandum, 9 pages. Read online or download the PDF.
- Subject
- Portuguese FAL
- Grade
- Grade 12
- Document type
- Memorandum
- Year
- 2019
- Paper
- 2
- Publisher
- IEB
- Pages
- 9
- File size
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 2 of 9
MARKING GUIDELINES
SECÇÃO A ROMANCE/NOVEL
PERGUNTA 1
1.1 O autor da carta é o administrador Estêvâo Jonas.
1.2 Contadeirices – rumores; o sufixo –ices diminui a importância dos rumores.
Belzeburro – palavra formada a partir de belzebu (diabo) e burro (pessoa
pouco inteligente). Esta palavra é um insulto para Jonas pois caracteriza-o
como um diabo pouco esperto que se aproveita dos outros.
1.3 Ermelinda é a primeira-dama, a esposa do administrador Jonas, desejosa
de poder e riqueza, que se aproveita da situação que se vivia no país, mais
especificamente no distrito administrado pelo marido e se apoderara das
terras dos mais pobres. Aproveita-se do facto de os governantes se terem
esquecido dos ideais por que tinham lutado na guerra de libertação para
ela própria enriquecer também.
O Padre Muhando é considerado louco por muitos, dizia-se que se
esquecera da sua missão de sacerdote pois maldizia Deus, insultando-o
pelas ruas perante a falsidade, a malícia e o nepotismo que testemunhava.
Representa o sacerdote africano da religião introduzida pelos
colonizadores mas que não se separou completamente da sua religião
tradicional. Não conseguia compreender como Deus consentia que
houvesse tanta maldade naquele distrito no qual o povo vivia
miseravelmente. Critica os atuais governantes.
Zeca Andorinho é o feiticeiro tanto procurado por aqueles que frequentam
a igreja como pelos que praticam a religião tradicional. Critica a atuação
dos novos governantes, nomeadamente Jonas e a família, a esposa,
Ermelinda, e o enteado.
1.4 Eram explosões do falo dos soldados da ONUMOZ, soldados das Nações
Unidas enviados para Moçambique. A permanência da ONUMOZ e de
ONGs em Moçambique dinamiza uma agenda ocidental – tal como no
colonialismo ‒ que, na realidade, não privilegia o desenvolvimento
sustentado do país em termos políticos e económicos. Não houve a
preocupação de os indivíduos exteriores ao país se familiarizarem com os
hábitos e tradições das populações com as quais iriam contactar durante
anos. Continuou o tom de superioridade da época colonial. A permanência
de soldados estrangeiros deu azo a abusos sexuais e à requisição dos
serviços de prostitutas. O falo representa a fertilização das mulheres
moçambicanas por estrangeiros. As explosões representam a rejeição do
que é estrangeiro e o desejo de preservação da essência moçambicana.
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MARKING GUIDELINES
1.5 Sim, a frase pode considerar-se uma prolepse, uma antecipação que
aponta para o desfecho do romance. No final do romance a terra, quer
dizer, Moçambique, desaparece, parecere ter explodido completamente
ficando apenas um enorme abismo. A nação desaparecera nesse enorme
buraco. Este abismo representa o caos criado, restando nuns o desespero
e noutros a esperança de um renascimento do país destruído pelos
problemas sociais, económicos e políticos. Esperança de que novas leis
surgissem, leis justas, equitativas, com o regresso do flamingo.
1.6 No primeiro excerto critica-se o afastamento dos governantes dos ideais da
luta de libertação e, ao mesmo tempo, também se critica o colonialismo
que introduziu a religião cristã.
No segundo excerto é visível a discriminação social e económica que surge
entre os indivíduos da mesma raça, muito claramente no excerto a
discriminação étnica que ainda existe em muitos países africanos.
A discriminação continua a verificar-se no terceiro excerto, a discriminação
da massa popular pobre, que é um impedimento ao enriquecimento dos
governantes pois poderia revoltar-se.
1.7 A ironia consiste na mudança de denominações do povo. Inicialmente, na
altura da guerra de libertação e pouco depois da independência, chamava-
se-lhes massas populares; porém, a seguir à independência, surgiu a
necessidade de criar a identidade nacional comum daí a designação de
povo – o povo de Moçambique; um pouco mais tarde surge o nome
populações e por fim o de comunidades locais, esta última designação
talvez com um certo criticismo quanto à identificação local, i.e., étnica, o
que pode considerar-se, de certo modo, discriminativo.
OU
PERGUNTA 2
Espera-se que os candidatos conheçam a obra que estudaram durante o ano e
sejam capazes de focalizar as diversas situações e os seus significados, incluindo
o do flamingo, a do tradutor e, por fim, o desfecho.
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SECÇÃO B PEÇA DE TEATRO/DRAMA
PERGUNTA 3
3.1 O Mendigo é a personagem principal da trama, cuja profissão é mendigar
como forma de tirar da sociedade o que ela lhe 'roubou'. O Outro é um
outro mendigo que começou a pedir no mesmo local em que o Mendigo o
fazia, desempenhando a função de discípulo do primeiro.
3.2 O Mendigo é um homem desiludido com a sociedade na qual apenas vê
interesse próprio e desprezo pelos desfavorecidos. Não vê na esmola algo
genuíno, a doação do fundo do coração, vê apenas a crença dos
pecadores que na esmola esperam o perdão de Deus e querem garantir a
sorte, o bem estar. O Mendigo não crê em Deus, ideia marxista que
permeia a obra. É materialista e critica a desigualdade social.
O Outro revela-se ingénuo no que diz respeito a quem dá esmola. Crê que
as pessoas o fazem por sincera pena do esmolante e não por interesse
próprio, isto é, como forma ilusória de manterem a felicidade. O Mendigo é
o homem experiente, com pensamentos firmes sobre a sociedade, e o
Outro, com o Mendigo, inicia o seu 'estudo' da sociedade.
3.3 O Mendigo dedica-se à mendicidade, de início por necessidade mas depois
como maneira de se vingar da sociedade em geral, da sociedade
capitalista, que despreza apesar de ter enriquecido. As moedas que recebe
representam a ilusão de quem dá a esmola, pois pensa que com as
moedas – o resto, os trocos que tem no bolso – conquista a sorte e a
felicidade porque, de acordo com o provérbio, dar aos pobres é
dar/emprestar a Deus, e a devolução da doação seria a recompensa: a
sorte, o dinheiro e a felicidade. Esta maneira de pensar é uma ilusão, a
ilusão daqueles que não se dedicaram ao estudo das sociedades. De
acordo com o Mendigo, Deus apenas existe na mente das pessoas.
3.4 O Mendigo despreza os seres humanos que considera ingénuos e
destituídos de consciência e pensamentos elevados. Foram eles que
dividiram a terra entre si, a terra que anteriormente não pertencia a
ninguém. Daqui surgiu uma sociedade estratificada e a discriminação,
beneficiando os governantes e pessoas importantes. Espera-se que os
candidatos transcrevam as expressões comprovativas da resposta.
3.5 O Senhor, o chefe de Juca depois o Mendigo, aproveitando-se da
simplicidade de Maria, a esposa de Juca, rouba os planos da invenção de
Juca, invenção que iria efetuar o trabalho de vários operários. Juca tenta
reavê-los mais tarde mas, nessa ação, é acusado de ladrão, é preso e
condenado. Foi esta injustiça que o transformou num pedinte a fim de
cobrar da sociedade o que esta lhe devia, visto as pessoas a quem pedia
esmola pertencerem todas à classe social do Senhor, à classe dos
exploradores, daqueles que se aproveitam dos mais fracos. Sem despesas
de transporte ou de indumentárias, enriqueceu.
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3.6 Mendigo – desprezo, convicção, ironia, superioridade; seguro das
conclusões a que chegara durante a sua vida de pedinte. Arrogância, acha
o seu pensamento superior. Desejo e necessidade de transmitir ao Outro
os seus conhecimentos.
O Outro – ingenuidade, crença no bom coração das pessoas. A resposta
deve ser mais desenvolvida.
3.7 Resposta livre.
OU
PERGUNTA 4
A crítica feita no início do Séc. XX é ainda hoje aplicável à sociedade que enferma
dos mesmos males. Nada foi resolvido quanto à pobreza, à corrupção e à
desigualdade. Pelo contrário, parece que tais defeitos penetraram ainda mais as
sociedades, principalmente em África. Espera-se uma resposta muito mais
desenvolvida.
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SECÇÃO C CONTO/SHORT STORY
PERGUNTA 5
5.1 No título está presente uma dicotomia: o Dono da Casa oferece o jantar
como meio de doar uma quantia ao Bispo para recuperação do teto da
igreja, porém havia uma condição: o Bispo teria de transferir o padre de
Varzim para outra frequesia. Por sua vez, o Bispo aceita o convite para o
jantar porque ele próprio deseja fazer um pedido ao Dono da Casa, a
pessoa mais rica e poderosa da região. Ironicamente, ambos queriam fazer
um pedido, pedido esse que se proporcionaria no jantar. Era um jantar em
que se decidiria o futuro de um padre fiel aos ensinamentos de Jesus.
5.2 A expressão subinhada é uma crítica ao péssimo gosto quanto à maneira
como a casa fora mobilada, misturando a finura e elegância de móveis
antigos com o mau gosto de móveis escolhidos pelos novos donos da
casa, a sua preocupação em mostrarem a sua riqueza. E o que mais choca
e 'ofende' era o retrato do Dono da Casa (gordo, rosado, evidentes sinais
de não ter passado por dificuldades) que contrasta com os retratos dos
antigos heróis da família de quem o Dono da Casa se apropriara (aspeto
severo, duro). É uma expressão de choque.
5.3 Os móveis novos, falsos e doirados contrastam com as antigas mobílias
escuras, algo adequado aos palácios antigos. Os tapetes pomposos não se
coadunam com a doce madeira do chão; as cortinas complicadas
contrastam com os azulejos típicos e naturais da cultura portuguesa e
cobriam a pureza do branco das paredes. Estes contrastes reforçam o mau
gosto dos novos donos do palácio, a sua falsa nobilidade. O próprio Dono
da Casa é como um estranho inserido na elegância de um palácio
nobiliário.
5.4 O primo Pedro, o avô e o pai pertenciam à genuína fidalguia portuguesa.
Arruinados, tinham sido obrigados a desfazerem-se de todos os bens e,
ironicamente, tinham-nos vendido ao avô e ao pai do Dono da Casa. Ainda
mais irónico era que os heróis nobres que o Dono da Casa mostrava a
todos os convidados como seus, pertenciam, na realidade, à linhagem do
primo Pedro e não à família do Dono da Casa. Com a compra, o Dono da
Casa apropriara-se de uma história que não lhe pertencia.
5.5 O Dono da Casa era autoritário, agradava-lhe manter a autoridade
senhorial de tempos antigos. O primo Pedro, pelo contrário, e em contraste
com a antiga autoridade dos grandes senhores, tornara-se um democrata
contra o regime ditatorial existente em Portugal, contra a censura e a favor
do direito à greve e do pagamento de um salário justo a quem
desempenhasse qualquer função, sendo esta maneira de ver o oposto à
mesquinhice do Dono da Casa, que pagava miseravelmente aos seus
trabalhadores, razão da existência da miséria em Varzim. Não lhe convinha
convidar o primo Pedro pois sabia que contrariaria a verdadeira razão do
jantar: afastar o padre de Varzim. Nesta parte verifica-se claramente o
protesto de Sophia de Mello Breyner contra o salazarismo.
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MARKING GUIDELINES
5.6 Dono da Casa – autoritário, injusto, falso, destituído de sentimentos,
despreza os inferiores, pratica uma falsa caridade. Não olha aos meios
para atingir os fins.
Primo Pedro – democrata contra o regime existente em Portugal, justo.
Espera-se melhor caracterização que, em parte, foi já feita na resposta à
pergunta anterior.
5.7 Depois do jantar, a caminho de casa na noite chuvosa e lamacenta, o
Bispo encontra, na estrada, o mendigo que entrara na cozinha da casa
pedindo para falar com o Dono da Casa. O Bispo para o carro para lhe
oferecer boleia e até a possibilidade de passar a noite na sua casa, porém,
ao olhar o pobre, viu a miséria existente. Aquele suposto mendigo
encarnava a pobreza, o bem, a maneira como vivia a pobre população de
Varzim. Naquele momento teve a consciência do mal que fizera em
oposição aos preceitos da igreja cristã: vendera o padre em troca da
reparação do teto da igreja. Não consegue encarar o pobre que estava do
lado de fora da janela, encharcado. Quando consegue levantar a cabeça,
vê que não se encontra lá, que desaparecera. Compreende que fora um
aviso de Deus, volta à casa do Dono da Casa e devolve os dois cheques
que recebera: o do dono da Casa e o do Homem Importante. O cheque
deste último desaparece da mesa em que o colocara, ninguém o encontra
nem sequer o Homem Importante. Compreende-se que tal personagem
representa o mal que se instalara naquele palácio. E assim o Dono da
Casa não consegue o que desejava: a transferência do padre de Varzim.
Prevalece o Bem sobre o Mal. Ou a justiça perante a injustiça, um sistema
mais justo oposto ao que vigorava em Portugal na altura da escrita do
conto.
OU
PERGUNTA 6
O desenrolar da trama pode também ser considerado a luta entre os valores
impostos pela tradição, entre o autoritarismo, a opressão e a exploração dos mais
fracos, e os valores de justiça social trazidos pelo progresso que se disseminara
pela Europa: a democracia, a liberdade de expressão, o direito à greve e outros
valores democráticos. Os candidatos terão de desenvolver o tema do ensaio
nesta direção.
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SECÇÃO D POESIA/POETRY
PERGUNTA 7
7.1 As secas recorrentes nas ilhas de Cabo Verde, causadoras da miséria, da
fome e morte na população.
7.2 Denúncia e protesto contra o abandono a que a população estava votada.
7.3 Resposta livre. Espera-se uma divisão lógica e bem justificada.
7.4 Solidão, abandono, sofrimento, conformação com a pouca sorte, o nada.
Os candidatos têm de consubstanciar a resposta.
7.5 Anáforas. No primeiro dístico destaca-se o nada, o abandono.
No segundo dístico, o número três é altamente simbólico. Eram três os
habitantes do casebre, porém o número três pode ser interpretado a
diversos níveis. No caso da composição poética, parece apontar para o
ciclo da vida: nascimento, vida e morte.
7.6 Os três habitantes da casa 'queimados' pelo destino de solidão e
abandono. O adjetivo 'juntas' a classificar 'pedras' revela a união que
existia entre os moradores, a família. O adjetivo 'queimadas' indica que
tinham sido consumidos pelo sol escaldante, pela seca. Da família apenas
restaram três pedras, provavelmente a indicar que três pessoas tinham ali
morrido. Espera-se mais desenvolvimento.
7.7 Está presente a personificação na «fúria do [vento]», com um poder
destrutivo superior à vontade humana. Prevalece a vontade do vento,
assim humanizado, que leva a seca a todo o lado. Espera-se mais
desenvolvimento.
7.8 Os versos salientam a aceitação dos habitantes de Cabo Verde,
conformados com a intempérie que ciclicamente os assolava e os
dizimava. Não havia reclamações, não havia pedidos de ajuda nem
solidariedade. Apenas passividade, a ausência de reação, e o desânimo, a
impotência. Espera-se mais desenvolvimento.
OU
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MARKING GUIDELINES
PERGUNTA 8
Espera-se um comentário que foque o seguinte:
Afonso Lopes Vieira relata o drama vivido pelas mulheres dos navegadores que
partem para as descobertas, enfrentam mares alterosos e desconhecidos. A
natureza é apresentada como um ser vivo que contraria a vontade dos homens. O
vento e as ondas funcionam como força independente da vontade dos seres
humanos, submetendo-os à sua vontade, como se fosse um castigo por os
navegantes se atreverem a navegar em territórios 'exclusivos' e desconhecidos. O
vento e as ondas divertem-se com o medo e o desespero dos seres humanos.
Muitos navegantes pereceram nos naufrágios e, paralelamente, as mulheres
esperam em vão o regresso dos pais, filhos, maridos, noivos e namorados.
Esperam-nos nas praias, de olhos presos no horizonte. Choram lágrimas amargas
que rolam para os mares. São lágrimas de dor e de amor, tão valiosas como
pérolas.
Os navegantes sofrem, visto estarem sujeitos a inúmeras intempéries e ao
desconhecimento da sua própria condição. Uma vez afastados de terra, estavam
entregues a si próprios, sem haver qualquer comunicação com as famílias.
Podiam morrer em algum naufrágio ou luta e as famílias de nada saberiam.
Desconhecer se os seres amados estão vivos ou mortos causa as inúmeras
lágrimas das mulheres.
O binómio temporal é marcado pelos tempos verbais: nas três primeiras estrofes
o verbo 'chorar' encontra-se no presente: choram lágrimas salgadas. Nas
restantes, o verbo 'desesperar' e 'voltar' encontram-se no passado,
prenunciadores da perda de esperança: desesperaram, espr'ando/aqueles que
não voltaram. É só quando as mulheres se compenetram de que os seres
amados não voltarão que as lágrimas se transformam em pérolas.
As pobres mulheres não deixam as praias de onde partiram ou as praias onde
pensam que os seres amados chegarão. Aí desfiam as suas lágrimas, quer esteja
bom ou mau tempo. Ao caírem na frialdade das águas marítimas, as lágrimas
transformam-se em pérolas, deste modo atribuindo-se-lhes o valor de jóias, de
algo inestimável porque tiveram origem no amor. Essas jóias nascidas com o
sofrimento serão usadas pelas mulheres que nada sofreram.
Total marks: 70
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