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Portuguese FAL P2 2019 hlayiso.com

Subject: Portuguese FALGrade 12201910 pages
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Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE EXAMINATION NOVEMBER 2019 PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Time: 2 hours 70 marks PLEASE READ THE FOLLOWING INSTRUCTIONS CAREFULLY 1. This question paper consists of 10 pages. Please check that your question paper is complete. 2. Answer ALL questions in the Answer Book. 3. Number your answers exactly as the questions are numbered. 4. Start each section on a new page. 5. It is in your own interest to write legibly and to present your work neatly. IEB Copyright © 2019 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 2 of 10 Responda apenas a duas perguntas: um ensaio e uma pergunta direcionada. SECÇÃO A ROMANCE/NOVEL O último voo do flamingo, Mia Couto PERGUNTA 1 Agora, no distrito, só se ouvem estórias, contadeirices. O povo fala sem nenhuma licença, zunzunando sobre as explosões. E dizem que a terra está para arder, por causa e culpa dos governantes que não respeitam as tradições, não cerimoniam os antepassados. Eles falam assim, citado e recitado. Que posso fazer? São pretos, sim, como eu. Contudo, não são da minha raça. Desculpe, Excelência, pode ser eu seja um racista étnico. Aceito. Mas esta gente não me comparece. Às vezes, até me pesam por vergonha que tenho neles. Trabalhar com as massas populares é difícil. Já nem sei como intitular-lhes: massas, povo, populações, comunidades locais. Uma grande maçada, essas maltas pobres, se não fossem elas até a nossa tarefa estaria facilitada. Minha esposa, a ex-camarada Ermelinda, também não me ajuda. Ela adora os poderes e as riquezas, mas recebe as má influências. Às vezes, ela frequenta as missas pouco católicas desse padre Muhando. Mesmo desconfio que ela visita-se lá no feiticeiro, o tal Zeca Andorinho. E depois, em consequência, Ermelinda se irrita comigo a ponto de discutirmos nas vistas do público. Até chamou-me belzeburro. Veja. E disse que, afinal, o padre Muhando tinha razão: o inferno já não aguenta tantos demónios. Estamos a receber os excedentes aqui na Terra. Um género de deslocados do Inferno, está a entender? E nós, os antigos revolucionários, fazemos parte desses excedentes. [Págs. 97–98] 1.1 Identique o autor da carta da qual se transcreve um excerto. (1) 1.2 Comente a expressividade das palavras sublinhadas no excerto. (3) 1.3 Identifique quem são no contexto do romance as personagens mencionadas: Ermelinda, padre Muhando, Zeca Andorinho. (9) 1.4 O povo fala sem nenhuma licença, zunzunando sobre as explosões. Explique de que explosões se trata e o que representam na obra. (6) 1.5 E dizem que a terra está para arder ... Recorde o fim da obra e comente se a frase transcrita se pode considerar uma prolepse desse fim. (6) IEB Copyright © 2019
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 3 of 10 1.6 E dizem que a terra está para arder, por causa e culpa dos governantes que não respeitam as tradições, não cerimoniam os antepassados. (linhas 2–3) Eles falam assim, citado e recitado. Que posso fazer? São pretos, sim,como eu. Contudo, não são da minha raça. Desculpe, Excelência, pode ser eu seja um racista étnico. (linhas 3–5) Uma grande maçada, essas maltas pobres, se não fossem elas até a nossa tarefa estaria facilitada. (linhas 8–9) Tendo em atenção a mensagem ulterior da obra, comente a crítica indireta que prevalece nos períodos acima. (5) 1.7 Trabalhar com as massas populares é difícil. Já nem sei como intitular- lhes: massas, povo, populações, comunidades locais. Os períodos são claramente irónicos. Justifique esta afirmação. (5) [35] OU PERGUNTA 2 Mia Couto dá voz aos que não têm voz. Denuncia criticamente uma situação existente e problemática em que o desfecho da obra representa o futuro próximo do país se algo não fosse feito para o evitar. Daí os símbolos que o permeiam, destacando-se o dos flamingos. Num ensaio bem articulado, com introdução, desenvolvimento e conclusão, desenvolva a temática de O último voo do flamingo. [35] 35 marks IEB Copyright © 2019 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 4 of 10 SECÇÃO B PEÇA DE TEATRO/DRAMA Deus lhe pague, Joracy Camargo PERGUNTA 3 Recorde a peça de teatro que estudou durante o ano e responda às perguntas. OUTRO Mas quando agradecem a Deus, revelam o sentimento de gratidão. MENDIGO Não há gratidão. Só agradece a Deus quem tem medo de perder a felicidade: se os homens tivessem a certeza de perder a felicidade; se os homens tivessem a certeza de que seriam sempre felizes, Deus deixaria de existir, porque só existe no pensamento dos infelizes e dos temerosos da infelicidade. Quem dá esmola pensa que está comprando a felicidade, e os mendigos, para eles, são os únicos vendedores desse bem supremo. OUTRO (Desanimado). A felicidade é tão barata ... MENDIGO Engana-se. É caríssima. Barata é a ilusão. Com um tostãozinho compra-se a melhor ilusão da vida, porque, quando a gente diz: «Deus lhe pague ...», o esmoler pensa que, no dia seguinte, vai tirar cem contos na lotaria ... Coitados! São tão ingénuos ... Se dar uma esmola, um mísero tostão, à saída de um cabaret onde se gastaram milhares de tostões em vícios e corrupções, redimisse pecados e comprasse a felicidade, o Mundo seria um paraíso! O sacrifício é que redime. Esmola não é sacrifício! É sobra. É resto. É a alegria de quem dá porque não precisa de pedir. OUTRO O senhor é contra a esmola? MENDIGO Sou a meu favor e contra os outros. A sociedade exige que eu peça. Eu peço. E foi pedindo que me vinguei dela. [Págs. 24–25] 3.1 Identifique as personagens intervenientes no diálogo acima transcrito. (2) 3.2 Indique e analise o contraste que se verifica entre ambas as personagens quanto à dinâmica do pensamento. (6) 3.3 MENDIGO: Engana-se. É caríssima. Barata é a ilusão. Com um tostãozinho compra-se a melhor ilusão da vida ... Elabore sobre a profissão diária do Mendigo que o leva a afirmar que Com um tostãozinho compra-se a melhor ilusão da vida ... (5) 3.4 Releia a transcrição acima e explique o que o Mendigo pensa dos seres humanos. Corrobore a sua explicação com transcrições relevantes. (5) IEB Copyright © 2019
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 5 of 10 3.5 A sociedade exige que eu peça. Eu peço. E foi pedindo que me vinguei dela. Tendo em conta que contextualizar é também considerar no contexto do livro, do conto, do poema, de um texto para compreensão de uma situação, contextualize a afirmação acima. (7) 3.6 Comente sumariamente os sentimentos que se constatam nas duas personagens ao longo das suas falas. (5) 3.7 Apresente a sua opinião sobre esta obra. (5) [35] OU PERGUNTA 4 Poder-se-á considerar a obra de Joracy Camargo atemporal? Terá hoje também a frase Deus lhe pague o mesmo significado que o Mendigo lhe atribui? Joracy Camargo, com uma temática original, irónica, materialista e provocativa, reage contra o sistema e inicia o teatro social, mostrando as reformas sociais de que o mundo necessita para se debelarem os males que o afligem presentemente. Comente como a trama e a mensagem da peça de teatro refletem as asserções acima. [35] 35 marks IEB Copyright © 2019 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 6 of 10 SECÇÃO C CONTO/SHORT STORY O Jantar do Bispo de sophia de Mello Breyner PERGUNTA 5 Móveis pomposos, falsos e doirados, tinham sido acrescentados às antigas mobílias escuras. Um excesso de tapetes escondia a doce madeira do chão. Cortinas complicadas injuriavam o brilho frio do azulejo e a casta cal das paredes. E sobretudo — ai!, sobretudo — os retratos do Dono e da Dona da Casa, rosados e estilizados, sentados num cadeirão torcido, ao lado dum jarrão da China, contrastavam amargamente com os retratos secos e sombrios dos antepassados. Mas o Dono da Casa não dava por este contraste e gostava de se ver, rosado como um fiambre e com as mãos afiladas até à maravilha, ao lado dos seus avós. E quando o Dono da Casa passava com as visitas em frente dos retratos explicava: — É costume na minha família cada nova geração deixar aqui o seu retrato. Por isso já aqui está o meu. Gosto de continuar as tradições. Estas exibições dos retratos divertiam profundamente um parente afastado do Dono da Casa que toda a gente na família tratava por primo Pedro. Este primo Pedro era o mais legítimo representante da nobreza da província e o mais arruinado. Seu avô, seu pai e ele próprio tinham vendido lentamente casas, campos e quintas ao avô e ao pai do Dono da Casa. E também os quadros ali expostos tinham mudado de proprietário juntamente com as casas e com as quintas. Os quadros, porém, além de mudarem de proprietário, tinham mudado também de descendência. Mas o primo Pedro não precisava de retratos: ele próprio com seu ar austero e seco era igual a um retrato. Formava nisto grande contraste com o Dono da Casa, que era moreno, encorpado e corado, com grossas mãos e dedos ávidos e curtos. A ruína dos homens como o primo Pedro, seu pai e seu avô parece sempre um pouco inexplicável. O primo Pedro tinha a sensibilidade certa como a sensibilidade dum artista, tinha a inteligência dum inventor e o espírito de justiça dum revolucionário. Mas em toda a sua vida nada fizera. Seria por culpa dele ou seria por culpa do círculo que o rodeava? Seria porque a imagem do Dono da Casa, as imagens dos numerosos donos das casas, o faziam recuar com náusea em frente de todas as vitórias? Ou seria ele um espírito tecido de desilusão, descrença e ironia? Ou seria que a sua rejeição significava uma vontade de despojamento, uma renúncia quase metafísica? O Dono da Casa não se preocupava com estes problemas, que aliás não lhe diziam respeito ... Mas apesar de tudo isto o Dono da Casa fazia grande gosto nesse parentesco que provava a sua boa genealogia. Ter o primo Pedro a jantar dava-lhe sempre a sensação de ter um dos personagens da galeria dos retratos sentado à sua mesa. Porém hoje não o convidara. Pois o primo Pedro tinha opiniões subversivas: defendia a democracia, a liberdade de imprensa, o direito à greve e costumava citar o catecismo dizendo que não pagar o justo salário a quem trabalha é um pecado que brada aos céus. Isto levava o Dono da Casa a suspeitar que ele fosse comunista. E também o levava a compreender que não convinha convidá-lo para o jantar do Bispo: de facto era evidente que o primo Pedro tomaria a defesa do Padre de Varzim. [texto com supressões] IEB Copyright © 2019
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 7 of 10 5.1 Justifique o título do conto. (3) 5.2 Comente brevemente o sentimento subjacente à expressão sublinhada: E sobretudo — ai!, sobretudo — os retratos do Dono e da Dona da Casa, rosados e estilizados ... (4) 5.3 Identifique e explique o significado subjacente às antíteses contidas no primeiro parágrafo. (6) 5.4 Este primo Pedro era o mais legítimo representante da nobreza da província e o mais arruinado. Seu avô, seu pai e ele próprio tinham vendido lentamente casas, campos e quintas ao avô e ao pai do Dono da Casa. E também os quadros ali expostos tinham mudado de proprietário juntamente com as casas e com as quintas. Os quadros, porém, além de mudarem de proprietário, tinham mudado também de descendência. Elabore um comentário à ironia contida no excerto transcrito e seu significado. (6) 5.5 Explique por que razão o primo Pedro não fora convidado para o jantar. (5) 5.6 Com base no texto, contraste o primo Pedro e o Dono da Casa. (5) 5.7 Recorde agora o desfecho do conto e explicite o seu significado. (6) [35] OU PERGUNTA 6 «Tudo o que se passou neste conto representa um Duelo entre os Valores de Progresso e os Valores impostos pela Tradição.» [<http://usazeitaoliteratura.blogspot.com>] A partir da citação, produza a interpretação da temática do conto. [35] 35 marks IEB Copyright © 2019 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 8 of 10 SECÇÃO D POESIA/POETRY PERGUNTA 7 "Casebre", de Jorge Barbosa Foi a estiagem E o silêncio depois Nem sinal de planta nem restos de árvore no cenário ressequido da planície. O casebre apenas de pedra solta e uma lembrança aflitiva O teto de palha levou-o a fúria do sueste. Sem batentes as portas e as janelas ficaram escancaradas para aquela desolação. Foi a estiagem que passou. Nesses tempos não tem descanso a padiola mortuária da regedoria. Levou primeiro o corpo mirrado da mulher com o filho nu ao lado de barriga inchada que se diria que foi de fartura que morreu. O homem depois com os olhos parados abertos ainda. Tão silenciosa a tragédia das secas nestas ilhas! Nem gritos nem alarme — somente o jeito passivo de morrer! No quintal do casebre três pedras juntas três pedras queimadas que há muito não serviram. E o arco do ferro do menino com a vareta ainda presa. IEB Copyright © 2019
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 9 of 10 7.1 Refira o assunto do poema. (4) 7.2 Indique agora o tema principal. (3) 7.3 Divida o poema em partes, justificando a sua opção. (4) 7.4 Identifique o sentimento ou sentimentos contidos no poema e explique por que razão se fazem sentir. Transcreva os versos em que assenta a sua resposta. (5) 7.5 Identifique as figuras de estilo dos versos que se seguem e as sensações por elas transmitidas no contexto do poema. Nem sinal de planta nem restos de árvore três pedras juntas três pedras queimadas (4) 7.6 "três pedras juntas/três pedras queimadas. Avalie o que representam as 'três pedras' 'juntas e queimadas'. (5) 7.7 Identifique a figura de estilo contida nos versos que se seguem e explique de que forma apoiam o assunto da composição. Foi a estiagem a fúria do sueste (5) 7.8 Comente o significado dos versos que se seguem: Nem gritos nem alarme — somente o jeito passivo de morrer! (5) [35] OU IEB Copyright © 2019 PLEASE TURN OVER
Downloaded from hlayiso.com NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 10 of 10 PERGUNTA 8 «Romance das pérolas», de Afonso Lopes Vieira Nas praias do mar chorando, debruçadas para as ondas, as mulheres, as mães, as noivas choram lágrimas salgadas; e o vento doido, cavando, cavando nas águas bravas, põe-se, rindo e assobiando, sobre o mar às enxadadas. Andam longe navegando os barcos, e, desgrenhadas, as mulheres, as mães, as noivas, debruçadas para as ondas, nas praias do mar chorando, choram lágrimas salgadas. As brancas ondas, quebrando, são altas serras iradas; e as mulheres, as mães, as noivas, brancas de horror, desgrenhadas nas praias do mar chorando, choram lágrimas salgadas. Caem nas águas, rolando, estas lágrimas choradas, enquanto as ondas, quebrando, são altas serras iradas, e o vento doido, cavando, cavando nas águas bravas, se põe, rindo e assobiando, sobre o mar às enxadadas. No fundo do mar poisando, as lágrimas congeladas fazem-se em pérolas, quando nas praias do mar, chorando, as viúvas desgraçadas e as enviuvadas noivas desesperaram, espr'ando aqueles que não voltaram. E com lágrimas salgadas que as infelizes choraram, depois as afortunadas se enfeitaram ... Tendo em atenção as personificações prevalecentes, efetue o comentário bem articulado da temática da composição poética. [35] 35 marks Total marks: 70 IEB Copyright © 2019

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