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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE EXAMINATION
NOVEMBER 2017
PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II
MARKING GUIDELINES
Time: 2 hours 70 marks
These marking guidelines are prepared for use by examiners and sub-examiners,
all of whom are required to attend a standardisation meeting to ensure that the
guidelines are consistently interpreted and applied in the marking of candidates'
scripts.
The IEB will not enter into any discussions or correspondence about any marking
guidelines. It is acknowledged that there may be different views about some
matters of emphasis or detail in the guidelines. It is also recognised that,
without the benefit of attendance at a standardisation meeting, there may be
different interpretations of the application of the marking guidelines.
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Portuguese FAL P2 MG 2017 hlayiso.com
Portuguese FAL · Grade 12 · 2017. Memorandum, 10 pages. Read online or download the PDF.
- Subject
- Portuguese FAL
- Grade
- Grade 12
- Document type
- Memorandum
- Year
- 2017
- Paper
- 2
- Publisher
- IEB
- Pages
- 10
- File size
- 207.8 KB
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 2 of 10
MARKING GUIDELINES
SECÇÃO A ROMANCE / NOVEL
O último voo do flamingo, Mia Couto
PERGUNTA 1
1.1 O narrador é o intérprete, um elemento do povo com conhecimento da
língua portuguesa e da língua africana local, que se intitula de tradutor. O
narrador é homodiegético na medida em que é participante dos
acontecimentos, porém sem ser a personagem principal.
1.2 Atendendo ao conhecimento da língua veicular da região e da língua
portuguesa, o narrador é um elemento híbrido por participar das duas
culturas. Nele abrem-se dois espaços culturais: o da região e o que se liga à
língua portuguesa. Detém um papel importante porque, atendendo a essa
transversalidade, é o tradutor das culturas, aquele que faz compreender a
Massimo Risi a cultura local que se vincula à língua africana da área. É ele
que recupera as vozes tradicionais e as daqueles que não têm voz.
1.3 Os pássaros que se destacam são os flamingos, protagonizados no título do
romance.
O pássaro simboliza a inteligência, a sabedoria, a leveza, o divino, a alma, a
liberdade, a amizade. Por poderem voar, em muitas culturas são
considerados mensageiros entre o céu e a terra. Para os celtas,
simbolizavam os mensageiros dos deuses, os auxiliares dos deuses, por
isso são considerados símbolos de liberdade. Os pássaros a voar
simbolizam a liberdade, a independência (por oposição ao pássaro
engaiolado). O flamingo é um símbolo da alma em ascensão para o
encontro com a luz, símbolo da alma que está a deixar as trevas em direção
à luz (Dicionário de Símbolos).
A partida dos flamingos cinde a identidade do país explorado pelos próprios
moçambicanos e direcionado do exterior. O seu regresso traria a felicidade
e prosperidade que voltariam a unir a identidade dividida. O povo anseia
pelo seu regresso visto eles serem os enunciadores da esperança.
1.4 A chuva antiga que continuava a cair representa a situação estacionária
vivenciada pelo povo, conotando a falta de iniciativa para se revoltar contra
a situação abusiva criada pelo administrador, a primeira dama e o filho. A
«chuva nova, recente, acabadinha de estrear» que faria «cambalhotar» o
«mundo» representa a nova época de esperança que traria a prosperidade
e felicidade restauradas por uma possível revolta.
1.5 A «teimosia» do pai representa a eterna resistência contra a exploração tal
como «uma raça inteira» o fizera face à colonização, um povo vivendo a sua
cultura e resistindo «contra o tempo dos outros», a imposição de uma outra
cultura e identidade. Nesse momento o pai simboliza toda a raça negra, a
sua persistência e reivindicação, sentado no chão, a cadeira que a raça
negra continua, de uma maneira geral, a utilizar visto fazer parte integrante
da cultura. Aqui se constata o vínculo entre espaço → língua → cultura →
identidade.
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 3 of 10
MARKING GUIDELINES
1.6 A resposta deve centrar-se na exploração, no abuso de poder e na
corrupção da figura ao mesmo tempo que as afirmações devem ser
substanciadas com exemplos textuais.
1.7 Metáfora. Os fantasmas são os vultos esbatidos dos flamingos à beira mar,
parecendo figuras etéreas na escuridão, daí a sua expressividade. A
resposta deve ser mais elaborada.
OU
PERGUNTA 2
Deve iniciar-se pela situação de intérprete → tradutor. A situação deriva da
diferença cultural devido ao surgimento, nele, de uma outra cultura, uma cultura
híbrida; este novo espaço cultural que se abriu no narrador é resultante do
cruzamento de duas culturas, a portuguesa e a africana, sendo nesta ótica que a
figura deve ser analisada. Figura com conhecimento de duas línguas e culturas e
por isso apto a saber interpretar e explicar, isto é, a «traduzir» cada uma delas ao
estrangeiro que vem investigar a explosão dos soldados das Nações Unidas.
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SECÇÃO B PEÇA DE TEATRO / DRAMA
Deus lhe pague, Joracy Camargo
PERGUNTA 3
3.1 O Senhor explora a inocência e simplicidade de Maria, a esposa de Juca, e
consegue que ela lhe mostre os desenhos do invento numa visita anterior.
Rouba-os sem que ela se aperceba.
3.2 Juca, na terceira fala, deseja afastar a importância do projeto em que
trabalhava da mente do Senhor visto desconfiar das suas intenções. Por
isso o minimiza.
3.3 É óbvio que o alarme de Juca revela o conhecimento que a classe operária
tem dos seus patrões. Ele admira-se e não compreende que o Senhor
conheça detalhes do invento que não mostrara a ninguém. Houvera uma
falha que, no momento do ato ilocutório não sabe explicar, e por isso se
assusta com receio das intenções do patrão, que não tinha por hábito
visitar os empregados. A visita e o conhecimento da abrangência do
invento não prenunciava nada de bom.
3.4 3.4.1 B – que o patrão se impõe pela ameaça
3.4.2 B – a servilidade tradicional do operário a que era difícil escapar
3.5 A – prepotência
3.6 C – a exploração do fraco pelo forte
3.7 Resposta livre que deve evidenciar a desonestidade do patrão que
certamente nada pagaria a Juca.
3.8 Deve-se focar a desonestidade, a corrupção, o aproveitar-se de pessoas
simples e ignorantes, o abuso de autoridade, o processo sujo com que se
apoderou dos planos do tear, etc.
3.9 3.9.1 Indicam surpresa.
3.9.2 Indicam que não deseja revelar que fábricas o contactaram, ou que
talvez as mencione para se elevar aos olhos do patrão. Ao mesmo
tempo, conotam a importância do tear.
3.9.3 As reticências conotam as interrupções de fala, que se presume
serem mansas, de forma a melhor convencerem Juca.
3.9.4 As reticências são acusatórias, uma acusação implícita ao homem
que pretendia apoderar-se do que não inventara.
3.9.5 Uma suave acusação.
3.9.6 Manipulam o pensamento de Maria, deixando lugar aos sonhos de
riqueza.
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NATIONAL SENIOR CERTIFICATE: PORTUGUESE FIRST ADDITIONAL LANGUAGE: PAPER II Page 5 of 10
MARKING GUIDELINES
OU
PERGUNTA 4
Não se pode dispensar a abordagem de diversas partes da obra, principalmente
as que aludem à consciência pesada das pessoas importantes que, ao deixarem
cair as moedas e ao ouvirem a expressão ‘Deus lhe page’, ficam convencidas de
que serão perdoadas e assim poderão continuar com os seus comportamentos
pervertidos. Deve realçar-se o comportamento de várias personagens.
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SECÇÃO C CONTO / SHORT STORY
«O Tesouro», de Eça de Queirós
PERGUNTA 5
5.1 Os três irmãos vivem nas piores condições de miséria no palácio em
ruínas, condições tão precárias que são comparados a animais selvagens.
No inverno dormem na estrebaria para terem o calor dos cavalos, comem
pão esfregado com alho. Espera-se um pouco mais de desenvolvimento.
5.2 Numa manhã de primavera, ao andarem pelos arredores, encontraram um
cofre árabe, com três chaves, cheio de moedas de ouro.
5.3 Ficam desejosos de poder gozar de uma vida de bem estar e luxo.
Combinaram dividir por igual o tesouro encontrado, porém gerou-se, de
imediato, a desconfiança entre os três. Cada um deles ficou com a sua
chave. Guanes foi à vila comprar três alforges para levarem as moedas de
ouro para casa a coberto da noite.
5.4 Deve notar-se que Rui pensou logo matar os irmãos e que manipula
Rostabal para que mate Guanes. Falta de moral e de amor fraterno.
Se os candidatos caracterizarem Rostabal, dever-se-á focar que é
facilmente manipulado por não ser muito esperto.
5.5 Há duas descrições: no primeiro parágrafo, que estabelece o contraste
entre a ferocidade dos irmãos e a beleza e paz da natureza. A segunda é
quando se levantam do pilar e as suas passadas fortes fazem silvar a
relva, conotando a ameaça. A descrição deve centrar-se nos verbos, nos
adjetivos utilizados e nos advérbios e seus significados contextuais e em
relação aos irmãos.
5.6 Há a maior discordância. Natureza paradisíaca em oposição à selvajaria
dos irmãos. Espera-se um pouco mais de desenvolvimento.
5.7 A utilização do verbo rosnar animaliza os irmãos, intensificado pelo
advérbio furor, assim referindo-se ao carácter brutal de Rostabal.
5.8 Quem tudo quer tudo perde.
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OU
PERGUNTA 6
Reflexão sobre a natureza humana. Deve ser explorada a atmosfera em que os
três irmãos cresceram, relacionando com o carácter dos três, a falta de amor
fraterno e a falta de moral.
No séc XVIII, deu-se um grande desenvolvimento das ciências biológicas e físico-
químicas e nesta linha desenvolveu-se a ideia de que o mundo moral e intelectual
do homem apenas se poderia explicar através da ciência. A tudo se poderia dar
uma explicação racional. Valorizava-se o rigor concreto da observação, sendo o
homem também objeto de observação racional.
Tudo tem influência no carácter, no comportamento, nas escolhas, nas atitudes
humanas, nas suas reações: a hereditariedade, a atmosfera em que se cresce, os
traços morais dos familiares mais próximos, as particularidades educacionais e
outras do meio em que se nasce, cresce e desenvolve.
A serra é descrita em toda a sua aspereza e inclemência e nela situava-se o Paço
de Medranhos. A aspereza e a dificuldade de vida na serra acentuam o
isolamento em que os três irmãos viviam. Os lobos vivem nas serras e os três
irmãos são como lobos que lutam pela sua sobrevivência. Neles prevalece o
instinto, tal como nos animais.
O Paço de Medranhos afigura-se a um castelo na mais completa ruína
acentuando a falta de meios dos irmãos. Sem telhado, sem vidros, sem uma
lareira que os protegesse do frio, é descrito de um modo muito negativo
estendendo-se essa negatividade aos três irmãos. A ruína do castelo espelha a
ruína moral dos três irmãos, que se distinguem pelo seu egoísmo, inveja,
ganância, cobiça. Estes traços conduzem rapidamente à traição.
O ambiente em que tinham crescido e viviam contribui para moldar os seus
caráteres e para a corrupção da sua mente. Vivem na mais extrema miséria e ao
encontrarem o tesouro revelam-se todos os defeitos já apontados.
A falta de amor entre os três prevê que seriam capazes de tudo para melhorar a
situação, mesmo à custa da desventura dos outros, dos próprios irmãos. «E a
miséria tornara estes senhores mais bravios que lobos.»: esta comparação realça
a falta de caráter e a falta de moral dos três irmãos. A citação é um aviso de que
era preciso ter cuidado, pois são considerados selvagens, bárbaros e,
consequentemente, são capazes de tudo. São desumanizados.
Não há uma única referência aos progenitores, deduzindo-se que os três irmãos
tenham crescido sem qualquer guia moral e espiritual. Não há sequer amor entre
eles. Longe de aglomerados de pessoas civilizadas, desenvolveram-se de forma
indisciplinada, sem regras, sem parâmetros.
Conclui-se que a luta pela sobrevivência numa serra áspera, de invernos
rigorosos, a falta de educação moral transmitida pelos pais, a ausência de
exemplos morais, a falta de instrução contribuíram para o carácter dos três irmãos
que acabaram por se matar uns aos outros.
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SECÇÃO D POESIA / POETRY
PERGUNTA 7
«Aniversário», de Álvaro de Campos
Apresenta-se uma breve interpretação do poema contendo os pontos que devem
ser abordados.
Considerações sobre o poema
Escrito em 1929, portanto já um poema de maturidade de Pessoa, o poema
"Aniversário" pode certamente contar-se entre os poemas mais tristes e
simultaneamente pungentes de toda a obra do poeta. [...]
O poema "Aniversário" enquadra-se precisamente na última fase do poeta, a fase
dita "pessimista", em que os temas abordados por Campos voam em redor da sua
desilusão com a vida, com a amargura e a lembrança de um passado ao qual
nunca mais poderá regressar
"Aniversário" é marcado por essa recordação da infância. " Nesse "tempo" festejar
os anos era ainda uma festa inocente e feliz
Tudo isto na "casa antiga", na casa de infância. Talvez a casa do Largo de S.
Carlos, ao Chiado, onde nasceu.
Esse tempo passado é um tempo feliz, mas simultaneamente um tempo perdido,
porque as crianças não sabem que são felizes, só mais tarde quando recordam.
Tudo isso se perdeu. Perdeu-se "o menino".
"O que eu sou hoje é terem vendido a casa,/É terem morrido todos,/É estar eu
sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio..." Há uma grande desilusão
nestas palavras. A infância perdeu-se para nunca mais regressar e, hoje, o poeta
sente essa perda como a perda da sua identidade feliz. Ele apenas sobrevive,
como "um fósforo frio", ou seja, o presente é um tempo degradado, de ausência,
de perda, de vazio, sem sentido.
Campos deseja reatar o fogo apagado," comer o passado como pão de fome,
sem tempo de manteiga nos dentes!", mas é um desejo impossível. Ele sabe-o
quando diz:
Pára, meu coração!/Não penses! Deixa o pensar na cabeça!"
Deixar de pensar é, em Pessoa, alcançar a paz dos simples de espírito, daqueles
que vivem simplesmente a vida. Um objetivo que paradoxalmente sempre
perseguirá, sendo, ao mesmo tempo, o maior dos poetas racionais.
https://sites.google.com/site/apontamentoslimareis/aniversario
(Texto com supressões e leves alterações)
Os candidatos terão ainda de abordar a mancha gráfica, incluindo a pontuação e
os versos brancos.
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OU
PERGUNTA 8
«Romance das pérolas», de Afonso Lopes Vieira
8.1 Afonso Lopes Vieira relata o drama vivido pelas mulheres dos navegadores
que partem para as descobertas, enfrentam mares alterosos e
desconhecidos. A natureza é apresentada como um ser vivo que contraria
a vontade dos homens. Muitos perecem nos naufrágios. As mulheres
esperam em vão o regresso dos pais, filhos, maridos, noivos e namorados.
Esperam-nos nas praias, de olhos presos no horizonte. Choram lágrimas
amargas que rolam para os mares. São lágrimas de dor e de amor, tão
valiosas como pérolas.
8.2 O contexto é o do tempo das navegações de expansão europeia e as
dificuldades causadas às famílias que ficavam na pátria. Foca-se o
sofrimento dos navegantes sujeitos a inúmeras intempéries e o
desconhecimento da sua condição. Uma vez afastados de terra, estavam
entregues a si próprios, sem haver qualquer comunicação com as famílias.
Podiam morrer em algum naufrágio ou luta e as famílias de nada saberiam.
Desconhecer se os seres amados estão vivos ou mortos causa as
inúmeras lágrimas das mulheres.
8.3 O vento e as ondas funcionam como força independente da vontade dos
seres humanos, submetendo-os à sua própria vontade, como se fosse um
castigo por os navegantes se atreverem a navegar em territórios exclusivos
e desconhecidos. O vento e as ondas divertem-se com o medo e o
desespero dos seres humanos.
8.3.1 Personificação.
8.3.2 e o vento doido, cavando,/cavando nas águas bravas,/põe-se, rindo
e assobiando,/sobre o mar às enxadadas.
8.4 As vírgulas que terminam quase todos os versos (instituindo pausas
fortes), bem como no meio de alguns versos, destacando adjetivos e
gerúndios, confere um ritmo lento que intensifica o sofrimento tanto dos
navegadores como das mulheres que os esperam em vão, ao mesmo
tempo que provocam a comiseração dos leitores visto que os obriga a
deterem-se no significado dos verbos, substantivos e adjetivos. O ritmo
binário ascendente que predomina em quase todo o poema contribui
igualmente para realçar o sofrimento das mulheres que protagonizam a
composição poética:
Nas praias do mar // chorando
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8.5 O binómio temporal é marcado pelos tempos verbais: nas três primeiras
estrofes o verbo chorar encontra-se no presente: choram lágrimas
salgadas. Nas restantes, o verbo ‘desesperar’ e ‘voltar’ encontram-se no
passado, prenunciadores da perda de esperança: desesperaram,
espr’ando/aqueles que não voltaram. É só quando as mulheres se
compenetram de que os seres amados não voltarão que as lágrimas se
transformam em pérolas.
8.6 Para alguns linguistas, o gerúndio é uma forma adverbial do verbo e
expressa a continuidade da realização da ação. No contexto do poema, por
um lado prolonga a duração das tempestades e do sofrimento dos
navegantes, e, por outro, alonga a espera das mulheres e o seu sofrimento
também.
8.7 As pobres mulheres não deixam as praias de onde partiram ou as praias
onde pensam que os seres amados chegarão. Aí desfiam as suas
lágrimas, quer esteja bom ou mau tempo. Ao caírem na frialdade das
águas marítimas, as lágrimas transformam-se em pérolas, deste modo
atribuindo-se-lhes o valor de jóias, de algo inestimável porque tiveram
origem no amor. Essas jóias nascidas com o sofrimento, porém, serão
usadas pelas mulheres que nada sofreram.
Total: 70 marks
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